"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

A realidade pós-eleição

Conversei com amigos após o resultado das eleições no Brasil e boa parte deles, antipetistas como eu, viu sinais positivos no fato de que, dos 136 milhões de eleitores brasileiros cadastrados, 80 milhões não votaram na criatura comunista. Disseram-me alguns que o número expressa a rejeição ao PT, com o que concordo, em parte, porque - também em parte - atribuo a imensa abstenção (quase 21%) a um sentimento de que a política não importa de modo algum, mesmo sendo o voto obrigatório. Fato é que o voto da minoria elegeu a candidata dos petistas, cujas ideias elementares sobre política são desconhecidas da sociedade. É incrível, mas esta criatura, com sua legião de fanáticos, redimiu-se na mentira, em plena eleição, sem ter sido denunciada por isso. Poucos, como eu, sabem, que ela é delirantemente comunista em suas crenças mais profundas e estas não são credenciais, digamos, recomendáveis, para dizer o mínimo.

Sobre este sistema de crenças tenho escrito aqui amiúde e meus leitores sabem o que penso. Pergunto-me agora se, nas condições políticas e econômicas atuais, o que poderá fazer o governo Dilma para continuar enganando parcela do povo brasileiro (os que não votaram nela não se enganaram)? Poderá continuar a meter a mão nas burras do dinheiro público para encurralar mais miseráveis ainda em seu feudo? Refiro-me ao bolsa-família, programa de colossal viés coronelista, que provê miseráveis de uma renda auxiliar para permanecerem na miséria, somente que desta feita sob controle do estado. São 12 milhões de unidades familiares que recebem o auxílio, segundo a própria propaganda governista. A mesma propaganda que afirma que há somente 6,4% de desempregados no Brasil. Mas, em sendo 12 milhões de bolsas e, assim, por baixo, 30 milhões de almas virtualmente ativas do ponto de vista econômico, o número do desemprego é esquizofrênico. Simples: hoje, 25% da população brasileira vive, de acordo com os critérios de concessão do auxílio, no nível da pobreza ou abaixo dele. Famílias que não percebem mais do que R$140,00/mês, ainda segundo os critérios para concessão da tal bolsa. Logo se segue que tais almas estão fora do mercado de trabalho, desempregadas.

Façamos a conta devida e é fácil constatar: da população economicamente ativa, 25% não tem emprego. Como chegar ao número mágico do IBGE, os tais 6,4%? Somente por adoção de metodologia esdrúxula, oficialista, marota, que não é questionada pela mídia, em tempo algum, esta mesma mídia que se deixou amordaçar enquanto os ideais do Foro de São Paulo eram, um a um, implantados no Brasil, pelo PT.

E a criatura petista, durante toda a campanha, ainda afirmou que vai ampliar os benefícios, em torno dos quais, para agravar o quadro, gravitam falcatruas de coitados que circulam aos milhões pelo mercado informal de emprego. Creio ser este um retrato mais realista do Brasil, aquele que sempre será e que nunca foi.

Aliados, como nunca depois destas eleições, aos oligarcas mais matreiros do pais (é preciso novamente nominá-los?), os petistas só sabem administrar a propaganda que produzem, da qual o povo, em sua maioria e como demonstraram as urnas, cansou-se. Administram a imagem do Pré-sal, sem dizer à nação o custo da extração do óleo que está por lá. Administram a fartura de crédito, sem perceberem que as pessoas que consomem estão consumindo demais e, assim, consumindo-se, porque se endividam e que, endividados chegam, ao ponto do esgotamento. Administram um câmbio baixo, que conspurca a produção de bens de consumo nacional e nos entope de importados. Administram, enfim, a ilusão de que, num país pobre, em todos os sentidos, como o nosso, tudo corre maravilhosamente.

José Serra, na minha opinião é, em linguagem política, um covarde. Ele possuía todas condições, em termos de preparo, para trazer estes pontos ao debate eleitoral e não o fez, seguindo, assim, as diretrizes ideológicas de seu próprio partido. Ele poderia ter trazido, para a disputa, a discussão de nossa miséria, mas não, optou por uma campanha de louvação da popularidade do Diabo, pensando que não pagaria o custo de abraçar-se a ele no Inferno. Ele poderia ter dito não e seria certamente eleito, porque mais de 60 milhões de brasileiros teriam lhe acompanhado. Mas preferiu o discurso do medo, traindo, desta forma, a expectativa da maior parte do povo, que era a de defenestrar os comunistas do poder.

Agora, encastelados e abraçados com o atraso, sem oposição organizada, estes mesmos comunistas, que fizeram lá suas contas para tomar o poder há trinta anos e dele jamais sair, porque não podem, porque não são democratas, terão de governar uma nação que neles não deposita confiança alguma. Ao longo do tempo, eles continuarão a afundar o país, no crime endêmico, na esmola, na falta de saúde pública e deseducação, no tráfico de drogas, na prostituição infantil, lá eles com suas ideias lunáticas de socialismo pragmático. O PT não pode administrar crises e numa democracia, pessoas de partidos são eleitas também para isso. Antes que a primeira delas se aproximar, os petistas e seus consorciados, pendurados em mamadeiras de estatais, tentarão domar a sociedade insatisfeita com pacotes autoritários. Por isso era tão importante para eles obter maioria no Senado. E obtiveram. Por isso, para eles, era tão importante desmoralizar o Supremo Tribunal Federal, coisa que conseguiram, quando os ministros da Corte mais alta recepcionaram Cezare Battisti no Brasil e, mais recentemente, a fascista Lei da Ficha Limpa, que faz a lei retroagir contra o réu, julga mais uma vez coisa julgada e fulmina o direito adquirido. Tudo em nome do direito achado no chão e do "clamor das ruas".

Neste quadro, o futuro que se avizinha é sombrio. Preparemo-nos para ele.

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