"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

A traição de Obama

Israel foi surpreendido duas vezes, em apenas cinco dias, na semana passada, por ações destinadas a desestabilizar seu governo e enfraquecer sua posição no conflito que sustrenta, há gerações, com os palestinos. Na primeira delas, milhares de árabes tentaram invadir, no domingo, dia 15, seu território, vindos da Síria, Líbano, Faixa de Gaza, Egito e Jordânia, numa ação coordenada para dar início à Terceira Intifada. Os árabes foram contidos, mas chegaram a destruir cercas de fronteira na Síria e no Líbano, entoando cânitcos de vitória sobre os sionistas. 16 deles foram mortos na tentativa de invasão do território israelense, pelo Líbano e Síria. Nesta oportunidade, o Exército de Israel foi apanhado de surpresa, o que, em outras palavras, significa dizer que não estava preparado para a arremetida contra seu território, apesar da movimentação dos invasores ter sido anunciada até no Facebook. Falhas na segurança como esta são graves e foram comemoradas em todo mundo árabe como uma vitória sobre Israel e uma demonstração de que o dia da Nakba (catástrofe), que motivou o movimento, permanece presente nos corações e mentes não apenas de palestinos, mas de todos os árabes e muçulmanos. Para quem não sabe, a Nakba é como os árabes chamam os dia em que o Estado Judeu tornou-se independente. Tanto é assim, que Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, rerefriu-se aos 16 invasores mortos como "mártires que jamais serão esquecidos". Abbas, dias antes, havia celebrado a pacificação entre seu grupo, o Fatah, e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza e tem como objetivo destruir Israel. A meta, portanto, foi alcançada. Os israelenses, mais uma vez, foram surpreendidos e uma das causas palestinas, no caso, o retorno dos refugiados (hoje dos seus descedentes) da Guerra da Independência de 1948-49, ganhou espaço não apenas na rua árabe. Ele parece ter estimulado o espírito aventureiro do presidente dos EUA, Barak Hussein Obama que, em dois anos e meio de governo, sequer conseguiu que israelenses e palestinos voltassem a negociar um acordo de paz definitivo. E aqui passo a falar da segunda ação, uma traição em verdade, por isto bem mais desastrosa do ponto de vista israelense e de todos os quantos celebrariam o fim do Estado Judeu. Na quinta-feira, dia 19, Barak Obama proferiu um discurso no qual, pela primeira vez na história dos governos dos EUA, apoiou a reinvidicação árabe-palestina como condição para um acordo de paz com Israel: a criação de um estado palestino dentro das fronteiras existentes pré-1967. O discurso foi feito um dia antes da chegada do premier israelense a Washington, para uma visita de cinco dias, na qual estava prevista, além de um encontro com o presidente Barak Obama, um pronunciamento no Congresso americano. O inusitado e inesperado apoio de Obama à pretensão dos palestinos apanhou novamente os líderes israelenses de surpresa. O presidente americano atual simplesmente rasgou o compromisso histórico e assumido por seu antecessor George W. Bush com o então premier Ariel Sharon - e com esmagadora maioria do Congresso dos EUA, em 2004- no qual Washington reconhecia que, para um acordo de paz, as futuras fronteiras de um estado palestino com Israel não poderiam ser fixadas com base na "Linha Verde", que separa Israel da Cisjordânia (a tal fronteira pré-1967), porque a realidade demográfica daquela área e as demandas de segurança de Israel ficariam, em caso contrário, seriamente compriometidas. Assim, Obama acaba por determinar, repito, contra tudo o que fizeram seus antecessores, inédita baliza na posição americana com respeito à criação de um Estado Palestino. Haverá sempre um esperto (um Clóvis Rossi, por exemplo) para dizer que Obama não disse o que disse, que os judeus exageram, que compromissos históricos dos EUA com Israel foram reiterados e que Obama negou apoio às pretensões dos palestinos de levarem a criação de seu estado para a Assembléia Geral da ONU, que ocorrerá em setembro. Obama pode estar se aventurando em terreno escorregadio, mas no que tange a medidas unilaterais dos palestinos, ele não é bobo. O presidente americano sabe que, da mesma forma, Israel poderá tomar medidas unilaterais e anexar partes do território que os palestinos reinvindicam como pátria, gerando assim uma crise de proporções mais graves na região. Importa, portanto, acentuar, que a realidade desmente os diversionistas. Jamais um presidente americano invocou as fronteiras existentes antes de 1967 (de fato, são fronteiras do armistício de 49, estabelecido entre Israel e a Jordânia) como parâmetro para a criação de um Estado Palestino. Nataniahu, o premier israelense (que entendeu o que disse Obama), imediatamente, repeliu a iniciativa do presidente americano. Na sexta-feirea, dia 20, ele o fez na presença do próprio Obama, afirmando que a iniciativa é inaceitável e não será implementada. E isto por razões óbvias. Ao ocorrer do modo como Obama pretende, Tel Aviv ficaria há meros oito quilômetros da fronteira palestina, o aeroporto internacional israelense a apenas 3 quilômetros, todos os 300 mil judeus que vivem na Cisjordânia teriam de ser desalojados, a parte Oriental de Jerusalém deveria ser abandonada por Israel e, mais ainda, as Colinas de Golan - um local militarmente estratégico-, também ocupadas por Israel em 1967, seriam devolvidas à Síria. E tudo isto sem falar da "questão do retorno dos refugiados", sobre a qual Obama foi, digamos, evasivo em seu discurso e que, somada à demanda palestina para que Jerusalém Oriental venha a ser sua capital, têm inviabilizado as negociações com Israel. O presidente americano sequer se deu o trabalho de lembrar que está mais do que na hora dos países árabes como Síria, Líbano e Jordânia concederem cidadania e igualdade de direitos aos descendentes de palestinos que vivem em suas terras, em sua maioria amontoados em campos permanentes de refugiados, justamente para serem usados como arma de pressão contra Israel. Nos próprios países árabes, os palestinos são tratados como pessoas de segunda classe e não podem exercer várias profissões. O xiita Hezbollah, do Líbano, os trata com violência, porque em sua maioria, os descendentes de palestinos são sunitas.

Obama foi insensível a tudo isto e decidiu simplificar as coisas, dizendo aos israelenses: "Voltem para as fronteiras existentes antes de 1967 e as coisas se resolvem". Retirado todo falatório adjacente que coloriu seu discurso, as coisas tornam-se simples assim: a responsabilidade pela paralisia nas negociações com os palestinos é toda de Israel. Não é por menos que Mahmoud Abbas. no dia seguinte ao discurso de Obama, exigiu que o presidente dos EUA agora pressione Israel para que aceite a proposta tirada de sua cartola. Sei que tem muita gente, especialmenmte ligada à esquerda, que defende tudo isto. Mas quem deseja conviver com um estado judeu independente só pode lamentar, ou pior, detestar a traição obamista. Os atos da administração Barak Hussein Obama eram, até o último dia 19, pífios, marcados pela inércia e a falta de visão para a solução do complexo conflito entre israelenses e palestinos. Tudo isto mudou. Sua traição estimulou todo mundo árabe e todos que os apóiam -Unão européia, ONU e Rússia (que compõem o Quarteto de negociações, juntamente com os EUA) para a solução do problema. Obama, delibaradamentre, jogou gasolina num incêndio, deu munição aos árabes e aos palestinos em particular, concedendo razão a todos que, dentro e fora dos Estados Unidos, consideram o seu governo o mais anti-israelense da história americana. Não há dúvida de que somente a deliberada iniciativa de isolar Israel explica a decisão do atual chefe da Casa Branca em defender um Estado Palestino nos marcos das fronteiras de 1967. Esta é exatamente a condição para a aceitação da existência de Israel, que a Arábia Saudita, por exemplo, propôs, há cerca de dez anos. Ora, vindo da Arábia Saudita, nada a comentar. Mas proposta pela  Casa Branca, a ação é de tal modo escandalosa, em termos geopolíticos e de suas repercussões nas relações bilaterais erntre os EUA e Israel, que se torna impensável fazer qualquer prognóstico com respeito ao conflito israelense-palestino a partir de agora, justamente quando vivemos um período de incertezas marcantes num  Oriente Médio completamente desestabilizado, com as crises mastodônticas no Egito, Tunísia, Líbia, Yêmen, Síria, Jordânia e Bahrein. Ninguém pode prever o que ocorrerá nestes países nos próximos seis meses e tudo indica que, devido a isto, Obama, ao invés de fortalecer seus laços com Israel, optou por cortejar, com a bandeira verde islâmica, um mundo convulsionado pela queda de ditaduras e pela ascenção do pan-islamismo. De Islamabad a Fez, queimam-se rotineiramente bandeiras de Israel e cada vez mais são ouvidos os gritos de "abaixo Israel" e "morte aos judeus". Os ouvidos de Obama estão moucos para tal cantoria. Assim, nada melhor para os muçulmanos em geral, e árabes em especial, sem falar de seu seus aliados, que um presidente americano venha, neste momento a público, para defender uma pretensão palestina que, se implementada, implicaria a destruição de fato do Estado de Israel. Nunca é demais lembrar que sempre que Israel simplesmente retirou-se de territórios, na tentetativa de apaziguar os árabes e palestinos, os resultados que obteve foram dramáticos. A Faixa de Gaza foi dominada e continua sendo controlada pelos terroristas do Hamas, que agridem Israel como podem. E o Sul do Líbano foi engolido pelo Hezbollah, que, financiado e aparelhado por Irã e Síria, hoje possui mais de 30 mil mísseis capazes de atingir Tel Aviv, caso ocorra, o que não é improvável, um novo conflito com Israel. É neste cenário que o presidente dos EUA explicitou a condição-base, a seu ver, para a resolução da questão israelense-palestina: O retorno de Israel às fronteiras anteriores a 1967. Nem as mais otimistas das lideranças palestinas esperavam por um movimento destes. Os tempos, para os israelenses e sionistas, são de extrema dificuldade. Há a esperança, ainda, de que a iniciativa de Barak Obama volte-se contra ele, nas próximas eleições americanas. Também é certo que, no Congressso dos EUA, sua iniciativa seja fortemente criticada. Afinal, acredita-se que a maioria dos americanos defende as posições israelenses no que diz respeito aos problemas no Oriente Médio. Entre outros motivos (bons, como o fato de Israel ser uma democracia em meio a regimes opressores e ainda defender os valores ocidentais), porque se trata de uma questão de racionalidade. Israel é o único país da região que não causa inquietude aos EUA, que estão enrolados no Afeganistão, Iraque e Paquistão. Além disso, as forças políticas que atuam hoje no mundo árabe são movediças e é um fato que o ponto de contato entre as massas que derrubam tiranias nos países do Levante é o ódio a Israel e ao Ocidente. Devido a isto, até as eleições presidenciais nos EUA, ninguém sabe o que pode acontecer no mundo árabe. Barak Hussein Obama, com sua traição aos israelenses, provou ser mesmo produto da ala radical-esquerdista, chamada de liberal, do Partido Democrata dos EUA. Ele pode pagar, por sua afinidade e pela sua posição-anti-istraelense, com a perda de uma eleição. Mas Israel pode se deparar com uma insurgência panarabista e se ver envolvido, mais uma vez, num confronto militar com os árabes e com o Irã, o que coloca em risco sua existência.          

0 visualização

©2018 by Em memória de Luis Milman. Proudly created with Wix.com