"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

A vulgata e Honduras

A nova vulgata da esquerda planetária, para a qual restou apenas o refugo anti-americano e a defesa de todos os regimes totalitários, sejam eles islamofascistas ou caudilhistas, é de que houve um golpe militar em Honduras, que depôs um presidente eleito pelo povo e, por isso, com posição legitimada. Errado. Manuel Zelaya, do Partido Liberal, foi deposto, por ordem da Suprema Corte e respaldo do Congresso, porque queria subverter a ordem institucional hondurenha. As forças armadas cumpriram a ordem, sim, e o exilaram para a Costa Rica.

Zelaya aderiu ao fascismo de esquerda de Hugo Chavez, algum tempo depois de eleito. E sua estratégia para perpetuar-se no poder era a aplicação, em Honduras, da doutrina dos referendos. Chavez era não apenas a inspiração de Zelaya, mas seu coloborador mais próximo. Tanto que tentou, depois da deposição, fazer Zelaya voltar a Honduras, num avião venezuelano, que foi impedido de pousar e Tegucigalpa pelas Forças Armadas. Chavez acompanhava tudo de seu gabinete em Caracas, via satélite. A ideia, como foi noticiado com pouco destaque pela imprensa, era fazer com que apoiadores de Zelaya o recebessem e enfretassem as Forças Armadas, deflagrando um banho de sangue. Isto não ocorreu porque, como disse, os militares colocaram obstáculos na pista do aeroporto no qual o avião do presidente deposto iria pousar. O golpismo chavista fracassou. Golpismo ao qual Zelaya aderiu ao propor um referendo para a convocação de uma constituinte nas próximas eleições que irão ocorrer no final de novembro. Com a constituinte - se fosse instalada- Zelaya pretendia manobrar para tornar sua reeleição possível, coisa que a constituição de Honduras proíbe.

Mesmo com a proibição da Suprema Corte de fazer o referendo, Zelaya tentou realizá-lo e ordenou ao comandante do exército que levasse a empreitada a cabo. Levou um não na cara e destituiu o camandante de sua posição. A Suprema Corte determinou sua reintegração e no dia seguinte, o presidente golpista foi apeado do poder, por ordem, enfatizo, judicial, por ter tentado impor sua vontade pessoal à constituição do país.



Assim, não houve golpe, mas a preservação da ordem institucional em Honduras. O fato de que a OEA tenha se oposto à deposição de Zelaya e à posse do presidente do Congresso -Roberto Michelleti, como determina a constituição do país- não surpreende. A OEA é um forum que, nesses tempos de caudilhismo de esquerda que contamina a América Latina, se inclina até mesmo para receber Cuba entre seus membros. O problema é que Cuba é de tal modo blindada à democracia que, além de não poder, pois trata-se de uma tirania, nem quer entrar na OEA. Quanto aos países que são governados pele via plebiscitária, como a Venezuela, o Equador e a Bolívia, nos quais os presidentes são eleitos e jamais querem deixar os cargos, não há problema. Como não havia problema na Alemanha, depois da eleição de Hitler, que de referendo em referendo, transformou o país numa ditadura odienta e sanguinária, depois de dissolver todas as suas instituições.



Apoio popular não é o mesmo que democracia. Registre-se que fascistas e nazistas tinham apoio popular e mantinham controle total do estado, sem espaço para nada parecido com a democracia. Não se pode dizer o mesmo dos bolcheviques, do stalinismo e do maoísmo e de seus rebentos posteriores na Ásia, África e América Latina, como em Cuba, que são regimes enclausurados, nos quais não há nada parecido com direitos humanos e existência de oposições. O que já não mais me surpreende é que a cartilha golpista a la Chavez tenha penetrado nos meios de opinião "progressistas" a ponto destes terem tornado o caudilhismo canastrão chavista em exemplo de resistência ao imperialismo. Tais meios chegaram a construir a escandalosa tese de que Zelaya foi deposto por uma manobra da "direita" hondurenha com a CIA. Pura mentira. Zelaya foi derrubado pelas instituições democráticas porque desejava chavinizar Honduras, insurgindo-se contra a lei do país. Dizer o contrário é, aí sim, aderir ao golpismo.

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