"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Chavez, a Venezuela e os judeus

Nas vésperas de completar dez anos no poder, Hugo Chavez, o presidente da Venezuela, está concedendo à população do país caribenho uma opção plebiscitária: ou permitem a ele reeleger-se indefinidamente ou Chavez encerra seu mandato em 2013. Ele jura e ninguém a credita. O líder esquerdista das transformações bolivarianas, que chegou à presidência em 1999, pela via eleitoral, quer, pela via plebiscitária, eternizar-se no poder. Ele afirma que se perder o plebiscito, marcado para 15 de fevereiro, deixa a presidência quando terminar seu mandato atual, em 2013. Se vencer o plebiscito, fica, como já antecipou, até 2021.

Enquanto isso, a Venezuela não vê alternativa econômica para seu desenvolvimento: Chavez é um centralista e sua política depende da exportação de petróleo. Na última década, devido ao preço alto da comodity no mercado mundial, os venezuelanos não vivenciaram crises e Chavez pode praticar suas políticas assistencialistas. Mas desde a segunda metade de 2008, quando o preço do petróleo caiu de forma vertiginosa, ele passou a administrar a escassez de bens e a inflação. A criminalidade atinge níveis alarmantes. A Venezuela continua pobre porque não diversificou sua economia, nem antes, nem depois de Chavez. E, na perspectiva bolivariana, não há indício de transformação. Pior: ao centralizar a economia na exportação petrolífera, Chavez reduziu investimentos em outros setores. José Toro Ardy, que presidiu a estatal Petróleos da Venezuela, afirma que no período da presidência de Chavez, o país perdeu quase a metade de suas indústrias.

Nesse clima, populista e de escassez, o presidente venezuelano se apega ao poder. Deve, creio, ver a si próprio como um líder insubstituível, que está levando a Venezuela à redenção sócio-econômica. Sua retórica aloprada e cenográfica lembra a gestualidade castrista e nazifascista. Chavez adora discorrer sobre o Império (os EUA), sobre suas façanhas bolivarianas e sobre a nova era que está chegando para a América Latina. Enfrenta, sim, oposição interna forte. E tanto isto é verdade que as pesquisas sobre o plebiscito do "fico ou vou" estão apontando para um empate técnico. A vantagem de Chávez é de 51 contra 49 por cento das intenções de voto.

Uma de suas armas de poder é o diversionismo. Os males do país são atribuídos aos americanos e, depois da ofensiva de Israel contra Gaza, ele tem explorado o antissemitismo. Em seis de janeiro, entrevistado pela VTV, a rede de TV estatal, afirmou: "Os judeus não repudiam o Holocausto? E isto é precisamente o que estamos presenciando agora (em Gaza)". Dias depois, rompeu relações diplomáticas com Israel. No último dia 29 de janeiro, voltou à carga, num proncunciamento televisivo: "Dei uma rápida passagem de olhos no site da Telesur - a rede de televisão com base na Venezuela, que pertence também à Bolívia, Paraguay, Equador, Cuba, Nicarágua e Argentina- e vi uma história chamada 'Gaza em ruínas', que acusa Israel e o mundo judeu de falhar em denunciar as alegadas atrocidades cometidas pelas tropas israelenses e os planos dos judeus para Gaza".

Caricato? Não. Em 30 de janeiro, uma sinagoga sefaridita foi vandalizada por um grupo de 15 pesssoas. Os rolos da Torá foram violados e os muros da sinagoga, pichados, com as seguintes frases: "Morte aos judeus" e "Não queremos judeus aqui". A comunidade judaica venezualana está em alerta. "Essa ação foi organizada. Os vândalos estavam bem armados (eles renderam dois guardas) e levaram as duas câmaras de segurança que estavam, instaladas na sinagoga", disse Paul Hariton, líder da comunidade ashkenazita venezuelana. A seção venezuelana da Liga Anti-Difamação da Bnai Brith foi mais além: "Não foi um ataque ocasional. Ele está diretamente ligado à atmosfera antijudaica promovida pelo presidente Hugo Chavez e seu aparato de governo".

Os jornais brasileiros não noticiaram o fato. O episódio sequer mereceu uma citação de pé de página. Não há censura a Chavez de parte de nenhum organismo internacional. Os judeus de Caracas estão sendo atacados, sua segurança está comprometida. Enquanto isto, o perigoso fanfarrão que preside a Venezuela, vem ao Brasil para dizer que seus métodos de gestão bolivarianos transformarão a América Latina. Seus planos pessoais antecipam o fim de seu mandato para 2021. Os judeus estão sendo compelidos a deixar a Venezuela. Chavez se aproxima cada vez mais do Irã e quer um país Judenrheit. Em Caracas, a própria besta caribenha choca a serpente antissemita.

PS. A sinagoga de Passo Fundo, no RS, também foi pichada em 30 de janeiro. Lá vivem 150 judeus. Nem falo dos ataques a judeus, sinagogas, na Alemanha, França, Inglaterra e Rússia ou dos partidos antissemitas existentes na Ucrânia, ou das plataformas genocidas do Irã -que completa agora seus 30 anos de revolução islâmica-, do Hamas e do Hezbollah. Sou realista. O antissemitismo continua a ser o preconceito acariciado pela Humanidade.

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