©2018 by Em memória de Luis Milman. Proudly created with Wix.com

"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Desmentindo o Zero Hora sobre o Hamas

Sr. jornalista Rodrigo Lopes, a titulo de colaboração, envio o que se segue:

Sua matéria sobre o Hamas ( Zero Hora, 11 de janeiro de 2009) e aIrmandade Muçulmana não é correta, pelos seguintes motivos:

1. A Sociedade dos Irmãos Muçulmanos (ou Irmandade Muçulmana) não foi criada "nos anos 40". Foi fundada em 1928, por Assan Al Bana. Sayyd Qutb Ibrahim foi seu principal ideólogo.

2. Sua matéria leva a concluir que a Irmandade foi criada como movimento de oposição às ideologias laicas do Baath. Errado. Foi criada como reação à extinção do califado turco (1924). A Irmandade é bem anterior ao Baath. No Egito, apoiou Mohamed Naguid e Gamal Abdel Nasser - os oficiais livres - nacionalistas que derrubaram o Rei Farouk em 1952. No mesmo ano, depuseram também o sucessor de Farouk, seu filho Ahmad Fouad. Em 1953 foi proclamada a Repúblia, sob a presidência do general Mohamed Naguid.

O general renunciou e retornou ao poder ainda em 1953. Depois de disputas internas com Nasser, Naguib, que tinha apoio da Irmandade, foi finalmente deposto e Nasser assumiu o controle da República. AIrmandade chegou a tentar assassinar Nasser - ele foi baleado no ombro, num comício-. Depois disso, Nasser tomou o poder e tornou a organização proscrita. Houve reviravoltas posteriores com relação à Irmandade, que hoje atua no Egito, como partido. Um de seus rebentos, a proscrita Al Jihad, matou Anuar El Sadat, que sucedeu Nasser e precedeu Hosni Mubarak.

3. O Hamas é um rebento da Irmandade nos territórios palestinos ocupados por Israel em 1967. Foi criado em dezembro de 1987, no início da Primeira Intifada. O nome Hamas (é um acrônimo paraHarakat al-Muqawama al-Islamyiiia; também pode significar devoção ou entusiasmo) apareceu, pela primeira vez, num panfleto assinado peloXeique Ahmed Yassin (foi preso por Israel em 1984, condenado à prisão perpétua por atividades terroristas e armazenamento de armas e libertado em 1996, por um indulto de Benjamin Natanihau, então primeiro-ministro, por "razões humanitárias"). Yassin era paraplégico e foi morto pelos israelenses, em 2004. No panfleto fundador, ele acusava o Mossad de sabotar o moral da juventude palestina e arregimentar colaboradores.

4. A Carta do Hamas, de 1988, não é o documento de fundação da organização. O Hamas foi criado antes. De todo modo, é seu documento, chamemos assim, constitutivo. Em seu preâmbulo, a Cartafala em "nossa luta contra os judeus". Seguem-se 36 artigos em cinco partes e um epílogo. Ao final da leitura, fica claro o aberto antissemitismo (ah, essa reforma ortográfica!) e o objetivo de destruir Israel.

5. Sua informação de que antes da fundação, o Hamas chegou a ser financiado por Israel, no mínimo, carece de fontes credíveis e documentais. Há, é certo, especulações neste sentido. A única fonte que conheço - ela foi repercutida em alguns artigos da mídia ocidental - (por favor, se houver mais fontes conhecidas, solicito que o senhor as encaminha para mim) é o semanário israelense Koteret Reshit(Manchete Principal, em hebraico), que desenvolveu, em três parágrafos, a seguinte hipótese, em outubro de 1987 (assim, antes da existência do Hamas).

A hipótese do Koteret Reshit :

o governo militar israelense (então Israel governava os territótios ocupados em 1967), estimulou o surgimento de instituições assistenciais, além de uma universidade islâmica. A intenção, segundo o semanário, era fazer com que a então esquerdista OLP - que se opunha à existência de Israel e se comprometia com a luta terrorista - ficasse enfraquecida nos territórios.

O Fatah ( da OLP) era uma organizaçãm terrorista reprimida nos territórios. De qualquer modo, está, sob todos os títulos, incorreto afirmar, como o senhor o faz, que o Hamas "chegou a ser financiado por Israel". Nem o Koteret Reshit afirma isso. Na verdade, afirma que o governo israelense autorizou a entrada de fundos do exterior (leia-se, à época, Arábia Saudita, Irmandade Muçulmana e contribuições de árabes espalhados pelos mundo) para o financiar, entre a segunda metade dos anos 70 e a primeira metade dos anos 80, não o Hamas - que não existia- mas o surgimento de instituições assistenciais nos territórios, isntituições, assim, não controladas pela OLP.

Outras fontes, se houver, as desconheço, como afirmei. Nada de documentos israelenses, nada de documentos da CIA, nada de mais fontes sequer jornalísticas ou de hipóteses de historiadores. Ou seja, nada de nada.

Logo, o senhor incorre em erro de princípio, pelos motivos expostos, quando escreve - de forma humorada- haver um termo de comparação entre, por um lado, as relações de Israel e do Hamas (que nunca existiram) e, por outro lado, as relações dos EUA com os talibans ( não com Osama Bin Laden e a Al Quaeda, este também é um erro seu) ou as relações dos EUA com Sadam Hussein. Não há, nem a léguas de distância, termo de comparação, pelo simples fato de que Israel jamais financiou o Hamas! Isto é fato, e fato não se discute!

7. Os EUA nunca se relacionaram com Bin Laden, mas sim com a resistência afegã, que terminou por expulsar os soviéticos daquiele país. Bin Laden, na época, era liderado pelo clérigo palestino Abdullah Azzam. Bin Laden, naquela altura com seus pouco mais de 30 anos, coordenava a arrecadação de dinheiro saudita para a luta no Afeganistão e providenciava moradia, alimento e soldo para osmujahidim (guerreiros) voluntários árabes que chegavam ao Paquistão.

Bin Laden nunca entrou em combate com os soviéticos. Os voluntáriosmujahidim árabes só atrapalhavam os combatentes afegãos, por seu fanatismo e falta de preparo militar. Seu papel foi, no máximo, decorativo no enfrentamento com os soviéticos. Depois de expulsos os soviéticos, os talibans (estudantes, no caso do Corão, em afegão) tomaram o poder no país. E Bin Laden, a partir do Afeganistão dostalibans, expandiu sua rede terrorista, comprometida com a jihad contra om Ocidente. Mas os EUA não criaram Bin Laden. Este é um recorrente erro que não só o senhor, mas grande parte da mídia ocidental, comete. E equivale a dizer que Israel criou o Hamas.

Sua nota sobre as brigadas dos Tzanhanim (paraquedistas, em hebraico) e Golani (de Golan, a colina) estão apropriadas. Essas brigadas são preparadíssimas para o combate.

8. Finalizando, sua matéria é apressada e incorreta. Mas se eu tiver cometido algum erro, é só me corrigir. Se não há erros de minha parte, entretanto, solicito, em nome da precisão jornalistica, que o senhor retifique as informações equivocadas da matéria, em outra matéria, obviamente. Os equívocos de jornais sérios alimentam as fabulações de mentes doentias. E sei que esse não é seu objetivo.

Saudações,

Luis Milman

0 visualização