"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Efeitos do Fórum Social Mundial

Leio o recente artigo de Nahum Sirotzky, publicado no site Último Segudo. Sirotzky aconselha não desprezar as resoluções do Fórum Social Mundial, realizado em Belém do Pará. Em que pese o estilogrotesco e altissonante, o FSM fecundou sim, segundo Sirotsky, efeitos nefastos. Cito alguns deles: Frei Beto - o que Nelson Rodrigues diria dele?- declarou que o FSM representou uma tomada de forças para o futuro. O Fradim, de Henfil, certamente teria dito coisa semelhante, se tivesse adotado o bong livre e circulado pelas tendinhas forenses nas quais se praticou, durante as jornadas temáticas e entre cheiradas de cocaína- o coito progressista irrestrito. Sirotsky reconhece que essa carnavalização da esquerda é um fato, mas não considera adequado seu menosprezo. Candido Gzybowsky, um dos líderes do FSM, profetizou: "ou democratizamos a economia e as relações internacionais ou teremos um paradigma capitalista pior do que o atual".

Creio que, no ponto, Sirotzky dá importância demasiada ao perigo da profecia desse sociopata. Para ele (Gzybowsky) "democratizar a economia" significa estatizar os meios de produção e os bancos. E quem fará isso? Ruanda já fez. Cuba também. A Nicarágua tentou e se deu mal. Talvez o Quarteto Bolivariano Lugo-Morales-Chávez-Correa tenha a intenção de fazê-lo. Mas e daí? Vão terminar por instituir ditaduras em paisecos periféricos, para o mal de sua gente, que, em parte, parece acreditar em milagreiros e cocaleiros. O impacto da medida gzybowkyana, se a tolice dessses esquerditas de fato se materiaizar, será desatroso para seus povos. Junto com a estagnação e o retrocesso econômico, esses países, já pobres -alguns miseráveis- terão ainda que conviver por décadas com a corrupção e a opressão de seus tiranos.

Na vejo problemas na segunda parte da profecia, a que menciona a democratização das "relações internacionais". É um clichê rastaquera. O sistema de relações entre os países não será alterado por passeatas de frouxomarxistas, grouxomarxistas, trotskomarxistas, defensores dos direitos dos povos autóctones, lésbicas alucinadas, ciclistólogos, tartaruólogos ou islamo-idólatras. No máximo, haverá uma ou outra marcha pela extinção das Nações Unidas, a ongona submetida aos melífluos interesses dos americanos e de seus comparsas. Caminhadas pelas grandes cidades européias são previsíveis e podem ser instrumentalizadas pelos partidecos da Quarta Internacional. Nada de novo, no entanto. No mundo livre, devemos conviver com isso.

Sirotzky fala do encontro que Chavez, Lugo, Correa, Morales e Lula mantiveram em Belém. Mas sequer entre eles há entendimento. Chavez, enquanto aproveitava a onda do preço alto do petróleo, ainda podia fazer caridade com o dinheiro de sua estatal petrolífera e emprestava dinheiro aos primos mais pobres da ALBA. Agora não dá mais, porque o preço do petróleo despencou. Em casa, ele enfrenta a escassez, a carestia e a criminalidade, além da pobreza que nunca terminou. Perigosa é sua opção pelo antissemitismo, do qual o tirano em vias de eternernizar-se no poder, faz uso aberto para justificar os males do qual seu país padece. As gangues chavistas paramilitares estão aterrorizando os 15 mil judeus venezuelanos. Sirotzky certamente concordará comigo nesse ponto: temos de lutar contra esse monstrengo naziesquerdista. Israel e os organismos internacionais legítimos têm o dever de proteger os judeus venezuelanos.

Nos demais temas, Lula é visto por Chavez como liberal e pelos outros integrantes do Quarteto Bolivariano, como um imperialista. Quando o Apedeuta afirma que "devemos dar mais proteção ao trabalhador por meio de fortes investimentos estatatais", ele emite uma fatwaesquerdóide que, na prática, ninguém sabe o que significa. Lula ficou espertinho e sabe que não pode retroceder ao estatismo. Talvez veja a si mesmo como um Roosevelt da Bananolândia e acredite que o sargento Dilma, com seu PAC, tenha a resposta socialista para os males da recessão global. Tá certo, ele é o presidente da República. Mas quem governa, na área econômica, é o Meireles e o Mantega, apoiados pelo PMDB. Lula pode pensar o que quiser, pode exultar por causa de seus índices de popularidade ainda lastreados pela bolsa-esmola-, mas não vão deixá-lo governar a economia, do modo como Tarso Genro, aquele que refundou o PT, governa, com sua autorização, a pasta da Justiça. Seria um desastre. Tarso, pela atitude administrativa de refugiar um criminoso italiano impredicável, autodestruiu-se em termos políticos nacionais. Ficou como refugo petista no Rio Grande do Sul. Pelo menos, em termos de país, ele já vai tarde. Nós, riograndenses, que o aturemos.

Sirotsky alerta para "as grandes manifestações" que podem ocorrer em 2 de abril próximo, quando o Grupo dos 20 se reunirá em Londres. Penso que haverá manifestaçções sim, como sempre huve em Davos, por exemplo. Não penso, no entanto, que serão tão grandes ou que terão êxito, sequer, em parar o trânsito londrino. Sobre o conteúdo das tais manifestações, podemos antecipar: será o mesmo de sempre, a saber: chega de neoliberalismo, queremos sexo, a salvação do planeta, drogas e algo parecido com o rock and roll.

Antes disso, em 30 de março, teremos o Dia do Retorno dos palestinos a Sua Terra. Penso que será marcado por passetas em todo mundo. O que fazer? Não podemos evitá-las, mas podemos e devemos, os Milmans e os Sirotzkis, desmitidicá-las. Podemos criar o Dia do Retorno dos negros sudaneses para a Sua Terra. O Dia do Retorno dos Refugiados hutus para Sua Terra. Ou o Dia Internacional da Intependência Basca, ou ainda, dos curdos e tibetanos. Por que não lutar para que a ONU mobilize tropas internacionais para estancar o genócídio sudanês. Poderíamos abarrotar os computadores dos governos chinês e brasileiro com e-mails de protesto, pois os dois são os maiores aliados do regime gonocida do Sudão.

E devemos deixar claro: esse problema dos refugiados palestinos existe desde 1948, porque o mundo árabe e os palestinos não aceitaram a resolução 181 da ONU (novembro de 1947). Por pressão dos países árabes, ainda no contexto do conflito com o recém-independente Israel, a Assembléia Geral da ONU produziu, em 1949, a famigerada resolução 194, segundo a qual os refugiados palestinos poderiam voltar às suas terras, desde que em paz e com garantias de segurança para Israel. Isso nunca houve e aquelas terras já não são de palestinos. No entanto, 62 anos depois da resolução, descendentes de palestinos na Jordânia, Líbano e Síria são ainda considerados refugiados e não foram integrados naqueles países. Um absurdo, porque todos são árabes, falam a mesma língua e a imensa maioria professa, inclusive, a mesma religião.

Sirotsky lembra, também, que em 12 outubro deste ano será comemorado o Dia da Mãe Terra. Ecofanáticos e autóctones estarão de vigília para denunciar a usurpação da América, por exemplo. O que fazer? Sei lá. Quem sabe transferirimos o problema para aqueles conquistadores espanhóis, portugueses, ingleses, franceses e holandeses. Talvez a Assembléia Geral da ONU adote uma nova resolução, declarando ilícita a conquista da América e instituindo ocuna como o idioma oficial da América Latina.

No mais, meu amigo jornalista Sirotzky- o chamo assim, porque o admiro- lamenta (e eu com ele): querem nacionalizar os bancos, proibir a redução de salários, querem a retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão e Iraque, direito à mídia e conhecimento. Pois é, querem e querem. Mas não os levemos tão a sério. São os papa-hóstia do Frei Beto, a encarnação do padre de passeata rodrigueano, ajuntados com os islamomarxistas stedilistas e as homossexuais virulentas que querem exterminar os machos. Fazer o quê? Eles têm direito de ladrar.

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