"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Israel, Ahmadinejad e o "cara"

Desde 1948, mais de 22 mil israelenses morreram em seis guerras contra países árabes e atentados terroristas praticados por organizações palestinas (inicialmemente a OLP e a FNLP, depois os jihadistas do Hezbollah, do Hamas, da Jihad Islâmica). Israel, para sua sorte, nunca perdeu uma guerra, pois se isto tivesse ocorrido, deixaria de existir. O custo das guerras e da violência terrorista, em termos de vidas humanas, para o país judeu, é elevadíssimo, considerando-se o tamanho de sua população - entre um milhão em 48 e sete milhões e meio, hoje, incluindo-se aí um milhão e meio de árabes-. É, da mesma maneira, inegável, que Israel é uma potência militar, apesar de seus parcos 20 mil km quadrados de território, tamanho que possui o estado brasileiro de Sergipe. Há também o fato de que, até o final da década de 70, todas as suas fronteiras eram hostis. Hoje, em que pese Egito ( fronteira sudeste) e Jordânia (fronteira oeste) terem assinado tratados de paz com Israel, há permanente tensão na fronteira norte, com o Líbano, onde está instalado o Hezbollah, e a Síria, onde terroristas suicidas do Hamas, da Frente Popular para a Libertação da Palestina e da Jihad Islâmica são treinados para se infiltrarem em solo israelense e matar civis. Da Faixa de Gaza, desde 2007 controlada pelo Hamas, os islamonazistas apregoam mundo afora seu desejo de destruir o estado judeu.

A mesma cantoria se faz ouvir do Irã, país em que o antissemitismo é doutrina oficial. O Irã dos aiatolas representa, hoje, uma ameaça real à existência de Israel, porque prepara-se a passos rápidos, para adquirir a capacidade de construir artefatos nucleares. A Rússia fornece a tecnologia para a construção das usinas atômicas iranianas, mesmo diante da constatação, infensa à dúvida, de que a motivação para a criação destas usinas é bélica. Sanções dos países europeus e dos EUA e repreensões do Conselho de Segurança da ONU, não demovem e nem demoverão os líderes iranianos de seu objetivo. Israel é um país a ser erradicado do mapa, como afirma constantemente o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Creio, em que pese as dificuldades operacionais de uma ação militar contra o Irã que, diante deste quadro, Israel já tem preparado um plano de ação capaz de desarticular as pretensões iranianas; e que tal plano será acionado quando Teerã demonstrar que detêm capacidade de fabricar armas atômicas.

No próximo dia 6 de maio, Ahmadinejad estará no Brasil, a convite do presidente Lula da Silva. As razões deste convite são indecentes e se igualam ao alinhamento adotado pelo governo Lula com o Sudão, por exemplo. No caso do Sudão, o Brasil apóia um regime genocida. No caso do Irã, o governo Lula aproxima-se de um regime tirânico. Nos dois casos, o interesse brasileiro é criar, com o apoio da Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Cuba, condições favoráveis junto a nações onde é sistemática a violação de direitos humanos, para sua entrada no Conselho de Segurança da ONU, como membro permanente. Razões pragmáticas para alinhar-se com o Sudão e o Irã são desprezíveis. Podem pretender justificar o alinhamento com a conversa de que há interesse na expansão de relações comerciais e empresariais com estes países, mas esse pragmatismo é apenas o que aparece de um subtexto ideológico daqueles que dominam a formulação da política externa brasileira. Nesse subtexto, redigido por Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim, apoiados por setores comunistas do PT e pelo PC do B, o Brasil surge como potência mundial capaz de agregar nações que desafiam a hegemonia dos EUA e da Europa. Lula da Silva é, certamente, cônscio desta pretensão e dá seu aval a ela, apesar das críticas que possa sofrer de setores mais atentos da inteligentsia brasileira, que se expressa em artigos na grande imprensa, mas não chega a encontrar eco nas ruas e sequer na linha de cobertura jornalística. De um padestal de popularidade obtida em termos de maré favorável na economia global, Lula da Silva ainda é tido como intangível pelo protesto e pelo dissenso.

A visita de Ahmadinejad ao Brasil torna irrevogável a desfaçatez da política externa brasileira- que, por causa do Sudão, tem as mãos sujas de sangue. O presidente iraniano é uma figura grotesca, um canastrão fanático, que nega ter ocorrido o Holcausto e iguala, para o gosto de míopes abestalhados, o sionismo com o racismo. Logo ele, que preside uma nação na qual o clero xiita é a instância de decisão suprema e a negação dos direitos humanos elementares, como a liberdade de consiciência religiosa, é uma política de estado, para não falar da pena de morte prevista para apostasia (isso mesmo!) e adultério. Lula da Silva receberá em Brasília essa criatura que entroniza o ódio e o descaso pela vida humana. Não é, por essas razões, descabido afirmar que o governo do "cara" aderiu à fantasmagoria antissemita.

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