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"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Israel, o judeu do mundo


Estremeço diante do noticiário. A guerra de Israel contra o Hamas durou 22 dias. 1300 palestinos foram mortos, a esmagadora maioria de terroristas. Antes da guerra iniciar, no nordeste da República Democrática do Congo, entre os dias 24 e 25 de dezembro, ugandenses de um tal de Exército de Resistência Popular massacraram 620 pessoas e sequestraram 120 crianças. As informações chegaram agora ao Ocidente, trazidas pela Human Rigths Watch e pela ong congolesa Justiceplus. As forças de milicianos ugandenses atuam em território congolês desde a metade dos anos 90, apavorando refugiados ruandenses, na maioria hutus, que fugiram de seu país para escapar do genocídio praticado pelos tutsis.

A República do Congo é governada por Joseph Kabila, filho de Laurent Desiré-Kabila, que apeou do poder Mobutu Joseph Desiré, em 1997, depois de uma guerra civil sanguinária, inciada em 1991. Kabila, o pai, foi morto por um de seus guarda-costas em 2001. Joseph Kabila, seu filho, assumiu o governo e, depois de convocar eleições gerais, elegeu-se presidente da República,em 2006. Hoje o Congo-Kinchasa, como também é conhecida a república (ex-Zaire, ex- Congo Belga, devido à colonização no século XIX), é uma frágil democracia representativa.



A guerra civil travada por Lauren Desiré-Kabila contra Mobutu tinha, na sua origem, o problema dos refugiados ruandenses. Em torno de um milhão de pessoas chegaram ao Congo, e Mobutu não impediu a entrada destes migrantes desesperados, que tentavam escapar do genocídio de Ruanda. Os refugiados, quase todos hutus, ficaram assentados na região de Haute Uele, habitada predominantemente por tutsis baniamulengues. Não demorou para que as tensões se acirrassem. Kabila liderou os baniamulengues contra o governo de Kinchasa - a capital congolesa-, apoiado por Uganda e Ruanda. Massacres eram rotineiros. Bombardeios contra cidades controladas pelos rebeldes também. Mobutu, enfim, perdeu a guerra e refugiou-se no Marrocos, onde morreu.

As tensões entre hutus e tutsis e a disputa por minas de diamante permaceram. As milicias querem as minas. A mídia ocidental esporadicamnente registra uma escaramuça aqui, outra acolá. Mas o desastre hutu não foi interrompido. Há ongs humanitárias na região, onde atuam milícias ugandenses e baniamulengues. Daí a notícia de hoje, estarrecedora: na região de Haute Uele, em Doruma, Faradje e Duru, foram encontradas covas recentes, machados, tacos manchados de sangue e cordas, utilizadas pelas milícias ugandenses. Entre o início de dezembro e o dia 20, 620 pessoas foram chacinadas. Além disso, repito, 120 crianças foram arrancadas dos pais, um costume naquela região conflagrada, onde não há moralidade básica. As crianças são adotadas pelos tutsis e treinadas para assasinar o próprio povo, ou seja, os hutus.

Não é um filme de terror. É a realidade atual. Fico estarrecido diante das impotência da ONU, da União Européia, dos EUA, da Liga Árabe, da China e da Rússia, para deterem esse morticínio, que se arrasta durante décadas no Congo. Todos os parâmetros que autorizariam a ONU a declarar a existência de uma crise humanitária no Congo foram excedidos. Nada ouvimos da Cruz Vermelha Internacional. O Conselho de Segurança da ONU não se reúne para discutir o assunto. Não há marchas pela interrupção da matança, em Paris ou Madrid.

Na Somália, o confronto entre milícias muçulmanas parece se eternizar. A última notícia é que Mogadiso está caindo sob controle de uma delas, nem sei qual é o nome. Enquanto isto, uma epidemia de cólera se abate sobre a população de Ruanda. Há mais de 2.000 mortos. Morrem crianças às centenas. O governo de Paul Kagame é impotente para controlar o surto. Na Somália, há somente o caos. O mundo nada pode fazer para frear os confrontos tribais. São muçulmanos de etnias distintas assassinando muçulmanos. A ONU está de mãos atadas. Seu secretário-geral, Ban Ki-moon se cala. A BBC e a CNN não pedem autorização aos chefes guerreiros somalis para entrar naquele país. Não há protestos. Paris silencia. Madrid também.

Não posso esquecer-me do Sudão. Notícia de hoje dá conta de que Kenro Oshidari, representante do Programa Mundial de Alimentos da ONU, manifestou preocupação com a crise humanitária na localidade de Muhairiya. Na última quinta-feira, dia 15, milicianos do muçulmano Movimento Justiça e Igualdade, liderados por Khalil Ibhaim - que é apoiado pelo governo de Cartum- entraram em combate contra os milicianos do Movimento de Libertação do Sudão, que resiste à limpeza étnica praticada contra cristãos e animistas sudaneses. Segundo o site Videversus, Oshidari afirmou que "os últimos enfrentamentos ameaçaram cerca de 30 mil civis, entre moradores e deslocados, que foram alvos de diferentes tipos de violência, algo que não tinha acontecido antes nesta região". Diferentes tipos de violência é um eufemismo que a ONU usa para designar assassinatos, estupros e tortura. As vítimas são civis! Há mais de 300 mil civis chacinados em 5 anos pelas milícias muçulmanas e mais de 3 milhões de deslocados.

Horror maior não há. Nem há nota do Partido dos Trabalhadores, denunciando o Sudão como estado terrorista. Não há notícia no Jornal Nacional da Globo. A França não convoca o Conselho de Segurança para discutir a matéria. Chavez e Evo Morales não querem levar os governantes de Cartum para uma corte internacional, para que respondam por crimes de guerra. Lula não deplora a atuação do governo sudanês, em comunicado oficial. Ao contrário, sua diplomacia, como já demonstrei (ver artigo nesse blog) corteja o governo de Cartum. Não há passaetas em Paris, nem em Madrid. A CNN, depois de dedicar, durante 20 dias, sua programação à guerra de Israel contra o terror em Gaza, agora volta suas atenções para a posse de Barak Obama. Sobre o Congo, a Somália ou o Sudão, nem um comentário.

O mundo, no entanto, parou para valorar a ofensiva de Israel contra o Hamas. As opiniões sobre a ação israelesnse crepitavam na mídia ocidental, diariamente. A guerra estava sempre nas manchetes dos maiores jornais mundiais. Acusações de masssacre e carnificina foram lançadas contra os israelenses. Tudo mentira, tudo falso. Israel movimentou sua máquina militar para sufocar o Hamas, que a mídia esqueceu tratar-se de uma organização terrorista e genocida.

Finda o ofensiva israelense, o mundo acalma-se. O Brasil retoma sua rotina de chacinas, assassinatos, tráfico de drogas. Coisinhas aceitáveis. Ban Ki-moon volta a ser um mero espectador da cena internacional e, a ONU, não mais que uma entidade de ajuda humanitária. Por ora, não há mais razão para passeatas em Paris ou em Madrid. O Hamas, ainda que destroçado, canta vitória contra os judeus. O mundo gosta de ouvir essa ladainha. Vitória contra os perversos judeus, que atacam instalações da ONU e se divertem com a morte de crianças.

Não é ignorância. É viés antissemita. A mídia ocidental sente-se confortável para difundir o ódio aos judeus, professado abertamente no mundo islâmico e, também agora, pela esquerda ocidental. Já escrevi sobre essa aliança profana. O PT é antissemita, está comprovado pela nota que distribuiu acusando Israel de atrocidades que o Estado Judeu nunca praticou. Chávez é antissemita e Evo Morales também. Raúl Castro, obviamente é. Para todos eles - e não são poucos- o Sudão, a Somália e o Congo não importam. O problema está onde está Israel, o judeu do mundo.

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