"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Judeus, paradoxos e vergonha

Atualizado: 2 de Out de 2018


Hugo Chavez rompeu relações diplomáticas com Israel. Pode parecer mais um ato da comédia patrocinada por esse rufião do petróleo. Mas não é só isso. Há 15 mil judeus na Venezuela e hoje, estou certo, a grande maioria deles está assustada. É bem provável que muitos judeus venezuelanos decidam emigrar e, destes, muitos para Israel, que é sempre um porto seguro para judeus. Evo Morales, o cocaleiro que preside a Bolívia, espelha-se em Chaves e já anunciou: vai processar o presidente e o primeiro-ministro de Israel por crimes de guerra na Corte Internacional de Haia. Outro rufião, a zurrar ódio anti-semita. Mas como ficam os judeus bolivianos? Sentem-se desprotegidos, assustados, certamente.

Escrevi em outro artigo, com base no que li de um analista israelense, que Chavez não estava interessado em romper relações com Israel. A expulsão, promovida por ele, do embaixador israelense em Caracas, seria uma bravata para faturar, em cima da Guerra de Gaza, algum prestígio a mais junto as esquerdas do mundo e também junto aos venezuelanos. Errei. Baixou o espírito do Chapolin no Chavez e ele rompeu relações com Israel.



Sabemos que Chavez enfrenta problemas graves em seu país, de carestia e rejeição às suas pretensões de eternizar-se no poder, por meio do mecanismo de re-eleição ilimitada. O chavismo praticamente é uma ditadura, porque controla quase todas as instâncias de representação política e jurídica venezuelanas e se organiza como força para-instituicional de controle das cidades, por meio de comitês políticos espalhados por toda a Venezuela.

O modelo é chino-cubano, só que não foi implantado depois de uma revolução armada. Tem sido implementado por sucessivos golpes na ordenamento jurídico daquele país, que se encaminha para tornar-se uma ditadura oficial. A re-eleição sucessiva será a pá de cal de Chaves no que resta de democracia na Venezuela.

Evo Morales caminha pela mesma trilha autoritária. O cocaleiro - sim à coca, não à cocaína, é o seu lema - tentou, logo no primeiro ano que assumiu, mexer na Constituição e quase levou seu país a uma guerra civil. Recuou e moderou o discurso interno, por enquanto. Mas suas intenções permanecem as mesmas: cooptar, com seu discurso populista anti-americano, fatias cada vez maiores do povo para que possa legitimar suas pretensões de eternizar-se no poder. É um rufião também, só que do gás natural e da coca, as únicas coisas que a Bolívia possui e nas quais se sustentam sua economia. A miséria continua, é claro, e continuará, porque a mentalidade revolucionário-progressita de Morales o impede de pensar em planos que possam transformar a economia boliviana para melhor. Na sua cabeça de vanguarda, só existe atraso e estagnação.

A decisão de Morales com relação aos líderes israelenses é demagógica, certo, mas também tem lá suas pretensões. Vamos urrar um pouco de antissionismo para ficar ao lado de Chavez e do Irã, que nos garantem algum apoio cash, quando a Bolívia precisar. Só que o caixa bolivariano de Chavez está ficando vazio, por causa da queda vertical dos preços do petróleo. Não tem dinheiro nem para a Venezuela mais. Talvez Morales acredite que há males que vêm para bem. Se há uma crise econômica mundial, também pode haver um incremento no consumo de cocaína, seu item de exportação mais cobiçado nos EUA e Europa. Afinal, crise gera escapismo, escapismo gera desespero e desespero leva à droga. E para que haja droga, é preciso haver a planta, a coca, cujo cultivo "tradicional", Morales -ele mesmo um cocaleiro- defende com unhas e dentes. É, de fato, um modernizador.

O Brasil possui uma economia muito mais avançada do que a Venezuela e a Bolívia, também é certo. Mas, na politica, transforma-se no Brasil do PT, o país do lulopetismo. Barbaridades políticas e atos corruptos são cometidos rotineiramente. A concessão de refúgio político ao terrorista-assassino italiano Battisti é o último episódio de nossa política externa. O penúltimo havia sido a nota do governo que deplorava a ação israelense na Faixa de Gaza. O PT, que também é do Lula, avançou mais, devido ao seu antissionismo genético: Israel é um estado terrorista, para os dirigentes do partido.

Falei em corrupção? É. O último ato, até agora, foi a medida provisória do Lula que anistiava as pilantrópicas de suas dividas com a receita federal, demais impostos e previdência. O penúltimo, também por medida provisória, foi a autorização dada a OI para comprar a Brasil Telecom. As pilantrópicas favorecidas foram a Ulbra do RS, por exemplo, que deve exponencialmente muito mais do que pode pagar aos cofres públicos. Deve bilhões. O atual prefeito de Canoas, o petista Jairo Jorge da Silva, é homem de confiança de Tarso Hertz Genro. Antes de ser eleito prefeito de Canoas, Jairo Jorge foi catapultado do Ministério da Educação - onde atuou, ao tempo que Tarso era ministro daquela pasta, como secretário-geral- para uma pró-reitoria da Ulbra (que tem sede em Canoas) especialmente criada para ele.

Coincidências. Há um problema no Brasil, que considero gravíssimo, pois é sintoma de desagregação sócio-política. Quase todo mundo que tem opinião não tem opinião. Paradoxo, paradoxo. Não dá para chamar corrupto de corrupto, ladrão de ladrão, político sem-vergonha de político sem-vergonha. É preciso burilar a linguagem. Na ápoca do mensalão, o Marcos Valério só não fez uma cirurgia para trocar de sexo por causa disso. Se fosse nos EUA - aquele país puritano-, ele seria chamado de Valerinha, vagabunda e pilantra, todos os dias. Aqui não. Continua sendo o Marcos Valério, o operador do mensalão, no máximo.

Mensalão. Se fosse nos EUA, teriam caído dois terços do Congresso, sem falar do presidente da República. Lembram do Clinton? Por causa de um "deslize" erótico, quase foi linchado e escapou por um triz do impeachment. Aqui o Lula disse que não sabia que na sua cozinha tinha petista com dolar nas cuecas. E nós nem tiramos um sarro deste cínico ignorante. Preciso definir cínico? Preciso definir ignorante? Paradoxo, paradoxo. A derrocada moral e a derrocada política são a mesma derrocada. Falta moralidade nas redações jornalísticas, porque sem um mínimo de coragem - as exceções confimam a regra- não dá para ser moral.

Os judeus brasileiros, cerca de 120 mil, estão assustados com o PT. Afinal, esse é o partido que nos governa. O Brasil baba ovo no Chavez, no Evo, no Correa, no Lugo e no Raúl Castro. O socialismo vive, como dizem os integrantes da DS e do Trabalho, as duas tendências trotskistas que estão lá dentro do partido do Lula. Para O Trabalho, Chavez é um teórico do socialismo. Não acreditam? É só entrar no site da tendedência e verificar.

Risos não. Preocupação e ação. Está na hora de sair de trás da moita e assumir posições. Ponto de partida: quem trafica dólar ou euro na cueca não pode falar mal de Israel. Quem se alia ao crime organizado não pode criticar Israel. E o Waldomiro Diniz, assessor do José Dirceu na Casa Civil, era do crime organizado. Deputado cassado por corrupção, como é o caso de José Dirceu, não pode criticar Israel. Deputado cassado por corrupção é bandido. O Delúbio era bandido. Estão sendo todos processados, pombas, por corrupção. O Tarso Genro, o incomum, o peremptório, o Rolando Lero, obedeceu seu chefe, o Lula, e concedeu refúgio a um assassino condenado na Itália. Quem concede refúgio a um assassino, contrariando decisão (ênfase aqui) do CONARE - é, o CONARE decide sim, ao contrário do que espalha o Rolando Lero -, não pode criticar Israel. E quem apóia essse bando desavergonhado que nos governa não pode criticar Israel.

Deitar no chão e desenhar pombinha da paz é patético, vergonhoso. As chamadas lideranças judaicas entraram para o Paz Agora e não contaram para ninguém? Isto também está errado. Ninguém do Paz Agora - que é um movimento pacifista, só isso, um movimento, não um partido político - iria deitar no chão para desenhar pombinha, sob o olhar encantado da Jussara Cony (PC do B) e do Adão Villaverde (PTDOTARSO), esses militantes pelos direitos humanos dos chineses. Não, o pessoal do Paz Agora pensaria duas vezes.

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