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"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Lula,a corrupção e os cubanos

Dediquei atenção estrita à crítica das ideias comunistas do Partido dos Trabalhadores em meus textos recentes. Não tenho dúvidas de que o PT é herdeiro da tradição marxista-leninista, e que se dispõe a implementar programas derivados desta tradição, de modo metódico, na medida em que pretende manter-se no poder. Isto vale para sua política interna e externa. O recente Congresso do Partido, ocorrido em fevereiro, no qual Dilma Roussef foi aclamada pré-candidata do partido às eleições presidenciais, confirma isto. Engana-se quem pensa que o petismo é apenas uma versão oportunista do esquerdismo, um ente político que associou o populismo a interesses de estamentos sindicalistas e burocráticos criados em torno do controle da máquina pública, cuja finalidade é apenas dela tirar proveito.

É inconsistente circunscrever ações de petistas a uma dimensão delituosa comum, desconectada de um modelo de gerenciamento e controle do estado. O delito recorrente de corrupção praticado pelos membros do partido, configura traço permanente da personalidade política do petismo. As novas denúncias envolvendo José Dirceu (mais uma vez ele) no caso da reativação da Telebras comprovam que a cúpula petista, a exemplo de seus similares comunistas, se enlaça com qualquer tipo de crime, com o objetivo de fixar uma posição de estatização econômica. A estatização anda de mãos dadas com o atraso e a corrupção, características inconfundíveis de modelos planificados de economia, dos quais o PT é adepto. A vigarice e o surgimento de uma estatocracia endinheirada são os outros traços deste modelo. José Dirceu, mandão petista, com seus agenciamentos propinados de bastidores que envolvem empresas do estado, sintetiza a figura do comunista no poder. Não é de estranhar que o componente estatista consolida de vez a plataforma apresentada pelos petistas em seu Congresso, com a reafirmação da adesão irrestrita do partido ao grotesco Programa Nacional de Direitos Humanos editado por Lula em dezembro.

Nas conclusões aprovadas no Congresso, vemos compromissos com a luta pela diminuição da jornada de trabalho para 40 horas, a descriminação do aborto, a luta contra o "monopólio" dos meios de comunicação, o estímulo para a entrada de homossexuais nas Forças Armadas e a obsessiva ideia de atacar a propriedade privada no campo, por meio da elevação das exigências de produtividade que, se não contempladas, deverão servir de parâmetro para desapropriação de terras. Juntando tudo, o lupetismo nos acena com um saco de gatos, devedor daquele que, em que pese 152 anos de distância no tempo, foi proposto por Engels e Marx no Manifestio Comunista.

Essas iniciativas, apresentadas sem qualquer maquilagem às vésperas de uma campanha presidencial, não deflagram sequer debate numa sociedade entorpecida por anos de inculcação ideológica esquerdista. No Brasil sequer se repara mais nas sandices praticadas pelo mais graúdo, como o chamou o jurista Paulo Brossard, dos mandantes da República. Lula, depois do Carnaval, levantou vôo para o México, onde participou da criação de uma Comunidade da América Latina e do Caribe, o novo instrumento do Foro de São Paulo inventado para servir de palanque para criaturas políticas que querem tornar o ar desta parte do mundo mais irrespirável do que é. A nova entidade recebeu Cuba, a Ilha dos Facínoras, de braços abertos. Foi para lá que Lula decolou, no dia em que se anunciava a morte, depois de greve de fome prolongada e devido aos suplícios sofridos no cárcere desde 2003 - sem que tenha cometido crime algum, salente-se- Orlando Zapata Tamayo, um dos 200 presos de consciência que a dinastia castrista mantém prisioneiros.

Antes de aportar pela quarta vez, como presidente brasileiro, na terra de Raúl Castro, Lula espinafrou, incontido e de improviso - como gosta - o mundo civilizado que lhe rendera homenagem, em Davos, há cerca de um mês. Autêntico e municiado com as idéias de Marco Aurálio Top Top Garcia, ele desancou a verve contra os malvados ingleses, que há 177 anos, detèm a soberania sobre as Ilhas Malvinas, ou Falklands. "Não pode ser isso", incitou-nos a refletir o impredicável presidente. "A Inglaterra fica a 14 mil quilômetros das Malvinas. As ilhas são argentinas". Para o desapontamento da Rainha Elizabeth, Lula, em destrambelhada falação que mais parecia discurso de bêbado em bloco de Carnaval, acusou os ricos países do planeta pelos males do mundo. Marco Top Top, o escolhido para coordenar a campanha de Dilma Roussef à presidência, sempre nas proximidades do líder, exultou. São dele as coordenadas da vociferação anti-americana que marcam as relações Sul-Sul de nossa política internacional.

Em maio, Lula zarpa para o Irã, com MAG Top Top a tiracolo, em missão singular: continuar a aproximar o Brasil do regime sanguinário de Teerã, em nome de uma doutrina segundo a qual tudo aquilo que se opõe aos interesses dos EUA faz bem para o Brasil. Chegamos ao final da primeira década do século XXI com esses basbaques do anti-imperialismo no comando de nossas relações internacionais. À frente de todos, a figura turva de um presidente comunistóide, que fez da apedêutica uma virtude e do rabo de galo um símbolo nacional. Na terra dos aiatolás, Lula, agora em fase terminal de mandato e solto para borrifar o planeta com sua sapiência jecacomunista, certamente repetirá, tal qual mico amestrado, a história de que os conflitos no Oriente Médio devem ser mediados por uma ONU mais democrática, que não pode mais ser pautada pela forma de atuação derivada da 2ª Guerra Mundial. Neste modelo a ser superado, os gigantes de sempre só querem continuar mandando no mundo que não é só deles. Tal nível de erudição sobre relações internacionais, que transformou um local administrado pelo Brasil em Tegucigalpa numa zona de hotelaria para um golpista, saiu, não há dúvida, de algum manual cubano de diplomacia. É impressionante, mas a Cuba dos Castro, depois de 51 anos de desastre em níveis sociais e políticos, depois da derrocada do comunismo na Europa, continua pautando insurgentes ideológicos que enxergam sempre a vilania yanke por trás das dores do mundo. Ao Brasil, não custa nada aproximar-se de sanguinários ditadores ilsâmicos, em nome da libertação dos povos do jugo de Washington. Se alguém julga que exagero, que explique: como, justamente no dia em que morre um operário cubano, que estava condenado há mais de 30 anos de prisão por não pensar como um comunista, o presidente brasileiro, confrontado com o fato, encontra tempo para, juntamente com Franklin Martins e outros marxistas de seu governo, exaltar sua proximidade com o embalsamado Fidel Castro?

Lula, na sua estada em Cuba, foi questionado sobre a morte de Zapata Tamayo e sobre a existêrncia de 200 presos de consciência em Cuba. Enquanto lideranças mundiais denunciavam a ditadura cubana, ele julgou apropriado brindar os jornalistas com sua prosa de Jeca Tatu, para justificar que nem sequer fizera, aos cubanos, uma ponderação sobre os excesssos da repressão política na Ilha Presídio. Afinal, não foi visitar Fidel para reclamar de nada, afirmou, ao explicar a razão pela qual deixara de receber uma carta assinada por vários dissidentes políticos, entre eles a mãe de Zapata Tamayo. A carta não lhe fora endereçada adequadamente, com carimbo de protocolo. Essa é a noção de mediação de conflitos que pratica a diplomacia brasileira, dominada pela percepção de que Cuba, assim como o Irã, são regiões de resistência à hegemonia do Norte sobre o planeta. Os senhores que homenagearam Lula com o título de estadista global, em Davos, devem estar, hoje, imaginando o que dizem os perseguidos e familiares de mortos de Cuba e do Irã a respeito de tudo isto.

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