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"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Marxismo e judaísmo; brevíssimo comentário

Nesse momento, Israel torna a corporificar, para a esquerda, o judaísmo que o marxismo conceitualmente concebeu, no século XIX. Tal pensamento deve ser desmascarado. É tarefa dos filósofos e historiadores fazê-lo. Escrevi sobre isto no livro que organizei em 2004,Ensaios sobre o antissemitismo contemporâneo (ed. Sulina). Tratei do antissemitismo de uma esquerda que, hoje, pensa como o jovem Marx a instruiu: há, no cerne desse repertório do ódio, muitas vezes auto-ódio, do aniquilamento da identidade judaica, a idéia da assimilação total. Ela se apresenta com o pretenso ar de superioridade da erudição sistêmica, dialética. Não passa de lixo moral e intelectual, rebento da abstrusa lógica hegeliana. Esse pensamento pretende desmitificar (a) o judaísmo e (b) o sionismo, o primeiro assimilando-o a um universalismo delineado por Marx, Engels, Lênin, Trotsk Kautsky,inter aliia - no qual não há lugar para nação ou religião - e o segundo eliminando-o como nacionalismo ilegítimo, porque sem base que não a de uma insurgência contra o antissemitismo europeu.

Esse pensamento é corrupto e malicioso, porque aplica apenas aos judeus sua dialética perversa. Pergunto a um marxista: qual a diferença nacional, do ponto de vista dele, entre um boliviano e um equatoriano? Ou entre um indiano e um paquistanês? Nada do que se aplica aos judeus é aplicado aos alemães, austríacos, somalis, etíopes ou árabes, para ficarmos por aqui.

O antissemitismo de esquerda foi, e novamente está sendo, assimilado pelo homem falsamente ilustrado, aquele que usa a razão de forma binária - por exemplo, há o bom socialismo e o mau capitalismo- porque volta a cair bem ter uma "teoria sobre os judeus". Há os pérfidos e poderosos amigos do Tio Sam (Israel) e os oprimidos amigos da esquerda, os palestinos. Como afinal, entender essa gente (os judeus, digo) que, para os dialéticos historicistas que seguem Marx e Avraham Leon, não constitui um povo, nem uma nação, nem uma classe, talvez uma mero estamento religioso, a permanecer aí, em meio aos povos e as nações? Estão aí, como diz Eduardo Galeano, a ocupar terra alheia. Não houve lugar para judeus no marxismo teórico e prático (refiro-me a extinta URSS) que começou lá pelos idos dos anos 40 do século XIX e chegou até à primeira metade do século XX. E parece não continuar havendo hoje, para rebentos desta ideologia, que agora, depois de sua ruína real, vê a si mesma como de resistência e, talvez por isso, se enlaça com o islamismo radical, para o qual o antissemitismo é ínsito.

É preciso, concluem marxistas modernos, destruir o que restou do estamento judaico, entrincheirado em um artificialismo chamado Israel, retornando-o ao judaísmo real, que nega ao judaísmo o nacionalismo, pois este universaliza-se pela autodestrução, que é a assimilação. É o judaísmo do judeu não-judeu que Norman Finkelstein defende. Ele o conclama para si, orgulha-se dele e o afirma, contra todos os fatos, contra toda história, contra todas as evidências, como sendo o judaísmo verdadeiro. Para ele e para todos como ele, o verdadeiro judeu deve autodestruir-se. Trata-se mesmo de uma monstruosidade visceral, hegeliano-marxista, que ressurge para ludibriar a razão, ao mesmo tempo em que a entorpece para a realidade. Um avatar racionalista, que faz uso de uma filosofia da história cientificista. Na realidade, não passa de perversão moral, que aparece depois que os marxistas, é preciso dizer, perderam tudo. Menos o antissemitismo.

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