"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

O Brasil e a Palestina

Nos derrradeiros dias de sua administração, o presidente Lula da Silva tem tratado de tomar algumas  decisões no campo diplomático, evitando assim que certas questões problemáticas sejam transferidas, em aberto, para sua sucessora Dilma Roussef. A exemplo do que já fizeram os demais países do Bric (Rússia, China e Índia), Lula informou, via telegrama, ao presidente da Autoridade Palestina, que o Brasil reconhecia o status de estado independente para os territórios da Cisjordânia e Faixa de Gaza, definindo que tal estado deve ser instalado nos marcos fronteiriços existentes pré-1967.

Argerntina e Utruguai, logo em seguida, fizeram o mesmo, alegando que a decisão somente confirmava uma posição histórica com respeito ao compromisso destes países com a solução de dois estados existindo lado a lado pacificamente. Os três países sul-americanos agora integram-se ao grupo de cerca de 100 nações que consideram a Palestina um estado, mesmo que tal reconhecimento não encontre base nos compromissos de Oslo e no Mapa do Caminho, que são os marcos regulatórios definidos por israelenses e palestinos para que se chegue a uma solução negociada para a criação de um estado palestino. A decisão dos países sul-americanos gerou protestos em Israel precisamente porque desconsidera que o problema palestino só pode ser resolvido por meio de negociações diretas entre as partes envolvidas. Nenhuma decisão unilateral por parte dos palestinos será aceita pelo governo israelense, porque rompe com os Acordos de Oslo. Mesmo assim, o senhor Mahmoud Abbas, da AP, tem estimulado o tal de reconhecimento, como forma de criar um fato político que tenha repercussão internacional e seja capaz, por isso, de levar o problema para a Asssembléia Geral das Nações Unidas, onde a causa palestina poderia, sem muita dificuldade, receber respaldo. Abbas, assim, sabota as tentativas de criar um estado palestino pela única via possível de fato, a da negociação direta com Israel.

As dificuldades que, há qusae 20 anos, impedem que as negociações com os israelenses avancem não são poucas. Em primeiro lugar, a afirmação de que o estado palestino deveria existir nos territórios ocupados por Israel em 1967, como sustenta agora também o Brasil, não passa de um equívoco. Até 1967, estes territórios, que incluem a parte orierntal de Jerusalem, estavam sob administração da Jordânia e do Egito. E as linhas que os separavam de Israel eram as do armistício definidas após a Guerra da Independência de Israel, em 1949. Depois de 1967, o Conselho de Segurança da ONU emitiu a resolução segundo a qual Israel deveria devolver territórios conquistados em 1967 em troca de paz. Mas a resolução não menciona todos os territórios ocupados e muito menos menciona pelestinos e sua demanda por um estado. Israel já propôs duas vezes a troca de terra por paz com o mundo árabe. Quando da primeira vez, em 1967, após a guerra, os países da Liga árabe, reunuidos em Cartum, disseram não à oferta. E na segunda vez, em 2000, Yasser Arafat rejetou a mais radical proposta feita por um governio israelense em troca de paz, proposta que incluía, até mesmo, a entrega de parte de Jerusalém Oriental para os palestinos.

Desde 1993, Israel reconheceu de direito a pretensão dos palestinos de criação de um estado. Mas este fato não significa que Israel tenha aberto mão suas legítimas demandas de segurança ou do estabelecimento de fronteiras que, hoje, incluam Jerusalém, toda ela, em seu território. O problema é que os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como a sede de sua futura capital. Mas a cidade não será fatiada novamente por nenhum governo israelense. Ehud Barak, quando ofereceu parte de Jerusaalém aos palestinos, cometeu  um erro que nenhum governo israelense irá repeitir. Logo, ou os palestinos desapegam-se dessa quimera ou a tal da solução negociada de paz e reconhecimento recíproco não toma forma.

Além disso, a AP, entidade que Irsael reconhece como representante legítima dos palestinos, não excerce qualquer tipo de poder na Faixa de Gaza, que é controlada pelos terroristas do Hamas. O Hamas não reconhece sequer o direito de Israel exisitir como estado e isto cria uma situação insólita em termos de negociações. Os palestinos estão dividos entre facções que não dialogam. E não há solução negociada que desconheça o fato de que parte do território palestino está sob controle de um grupo que prega a destruição de Israel em sua própria carta constituitiva. O Brasil, ao declarar seu reconhecimentro do estado palestino dentro das fronteiras de 1967, cometeu, assim, vários atropelos. O primeiro: não há que se falar em fronteiras pré-1967, porque até então vigorava apenas um marco de armistício entre isreaelenses, por um lado, e jordanianos e egípcios, por outro. Segundo: o status de Jerusalém, que foi reunificada em 1967, é o de capital do Estado de Israel e não será negociado. Terceiro: as fronteiras que, no futuro constituirão o estado palestino, devem ser traçadas pela via da negociação direta com Israel, que, como sabemos, só controla a Cisjordânia, sem tê-la anexado, porque venceu uma guerra de extermínio lançada contra ele por seus vizinhos árabes.

Tais particularidades da situação não interessam ao governo Lula, que, para levar a cabo sua política de aproximação com o mundo islâmico, deseja abertamente tumultuar um processo de pacificação para o qual jamais contribuiu. Esta linha de conduta é coerente com a aproximação do governo Lula com o Irã e o Sudão. A diplomacia brasileira é comandada por comunistas antiamericanos e seu objetivo é fazer de tudo para atrapalhar as iniciativas dos EUA, tumultuando assism os parâmatros geopolíticos de convivência civilizada entre os povos. Não que tais iniciativas resultem sempre em ganhos. Os EUA, apesar de serem o país com maior inserção de interesses em nível global, não tem a capacidade de impor deliberações de modo unilateral ao seus aliados. As iniciativas de Washington para o Oriente Médio sequer foram capazes de criar condições satisfatórias para que os palestinos viessem a se entender sobre alguns pontos decisivos com respeito a Israel. Muitas das demandas palestinas continuam sendo inaceitáveis para os israelenses. Enquanto permenecerem reféns de uma ideologia antissionista, os palestinos não obterão o estado a que dizem ter dfireito. O Brasil adula ditaduras ferrenhas de esquerda e islâmicas. Como os demais países do bloco russo-sino-islâmico, pretende que Israel pague o preço da mutilação para atender exigências palestinas insensatas. Isto, para tristeza do comunista Marco Aurélio Top Top Garcia, mais uma vez nomeado assessor especial da presidência para assuntos internacionais, não vai ocorrer.  

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