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"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

O Fórum Social Mundial e a depravação


Reúnem-se agora, em Belem do Pará, esquerdistas do mundo todo em torno Fórum Social Mundial (FSM). Conheço esse fórum de Porto Alegre, a primeira cidade a promovê-lo, sob o patrocínio do governo petista de Olívio Dutra. É uma demasia procurar discutir, com seriedade, qualquer tema que proceda do FSM. Trata-se de um evento de foliões, patrocinado por dinheiros públicos. Os governos federal e municipal estão despejando cerca de R$ 150 milhões para o evento. É uma festança, mas desafio qualquer um a lembrar de algo produzido no FSM- hoje em sua nona edição - que tenha permanecido para uma reflexão mais demorada. O FSM é um evento pulverizado, uma espécie de circo de opiniões armado pelas lideranças esquerdistas internacionais comprometidas com a ideia e a prática da transformação do mundo e dos homens, segundo os cânones de Marx, Engels, Lênin eTrotsky.

Na realidade, apenas os poucos iluminados que conduzem o esquerdismo possuem os segredos do marxismo. Esses segredos, na medida em que demandam investimento mental mínimo para que possam ser apreendidos, não são tematizados no FSM. Lá, os segredos são aceitos como dogma impenetrável- a concepção dialético-materialista da história, a luta de classes, a revolução, a ditadura do proletariado - e sequer deles se parte para interpretar a realidade política e cultural do momento.

Fiéis do dogma, mas não a ele (porque não esquadrinham o imperspícuo, não o discutem ou o compreendem), os ativistas do FSM promovem conferências, palestras, plenárias e debates, que são, do ponto de vista do marxismo espesso, próprios de uma elite que permanece pré-revolucionária, utópica e burguesa. Paradoxo, porque seria abjeto a Marx,Lênin e Trotsky, por exemplo, aderir aos direitos dos homossexuais, à preservação de meios artesanais de exploração das florestas, ao feminismo, ao direito dos povos indígenas, àislamofilia. Engels diria que tudo isto é próprio ou de povos primitivos ou de uma pequena burguesia que, no início seria simpática à ideia comunista, mas depois viria a ser extirpadapor ela. Lênin, o pai fundador da prática marxista revolucionária, exterminou, logo que chegou ao poder, alguns milhões de intelectuais, clérigos, pequenos proprietários urbanos e rurais, homossexuais, dissidentes e oposicionistas russos. Lênin seguia Engels e Marx ao pé da letra, era coerente.

Também o foram Stálin, Mao, Pol Pot, as dinastias Kim Il Sun e Castro. Para o comunismo, o extermínio em massa, o genocídio e os campos de concentração são uma política necessária de estado. O regime totalitário submete a sociedade ao medo e ao horror permanentes. Filhos delatam pais aos comitês revolucionários, toda a atividade pensante é proscrita. O partido adona-se do todo. O particular dá lugar, no processo revolucionário (no qual a ditadura proletária se integra), ao geral. Não há mais indivíduo com suas necessidades, mas necessidades do indivíduo em vista de sua inserção na construção do novo real, do novo homem. Bernard Shaw, o grande escritor inglês, comunista que era, abertamente defendeu, na década de 30, o genocídio de classe.

A economia mental da persona se esvai diante da economia social da PersonaRevolucionária, a Classe proletária e sua vanguarda, o Partido Comunista. Para que não haja fissuras no Partido, que tudo controla, é preciso de um líder, um guia, um homem carismático que sintetiza todas as virtudes revolucionárias, que conduz, ensina e impõe a ordem totalitária. Foi e é assim com todos os regimes comunistas.

Mas isso está longe do FSM. De lá ouvimos as vozes catocomunistas (fusão do catolicismo com o comunismo) como a de Leonardo Boff, o ex-frade franciscano e ideólogo da Teologia da Libertação, excluído da Igreja pelo cardeal Ratzinger, o atual Papa Bento XVI. Essa mistura de comunismo primitivo (uso o termo tal como Marx o usaria) e salvacionismoeucarístico é um monstrengo populista. Ele, o monstrengo, embala o Movimento Sem Terra do Brasil, a organização semiterrorista, formada por miseráveis profissionais, analfabetosipsis literis, analfabetos funcionais e dirigida por fanáticos antidemocráticos, como João Pedro Stédile. Escutamos também a gritaria de lésbicas ativistas, bolivarianos chavistas,islamófilos antissionistas, castristas anti-americanos defensores da ALBA e por aí vai.

É evidente que a imprensa mundial não dá a mínima para o FSM, considerado meraexcrecência esquerdopata apoiada pelo lulopetismo. Nem no Brasil a imprensa noticia aalgaravia ora em curso em Belém do Pará. Houve a distribuição gratuita de mais de 500 mil camisinhas em Belém, pois os forenses, depois das cansativas discussões que travam em suas concorridas jornadas de trabalho, costumam entregar-se a farras pouco regradas de confraternização, nas quais o sexo é praticado, em modestas barraquinhas, sem qualquer barreira, naturalmente. Drogas também fazem parte dos festerês, mas a polícia costuma respeitar o território livre do Fórum, onde traficantes locais operam abertamente. Detalhes de um cenário ideologicamente burlesco, onde marxismos de tamanco e alpargatas correm soltos em meio a peculiaridades e sectarismos extravagantes.

O Fórum Social Mundial foi uma idéia da Democracia Socialista, a DS do PT, que se tornou real na época do governo petista do cristãomarxista Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul. Todos sabemos o que foi aquele governo: um desastre moral, político e econômico. O FSM, é de se notar, continua fiel às suas raízes.

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