"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

O Novo Antissemitismo

raduzo artigo de Irwin Cotler, publicado em 24 de fevereiro, noJerusalem Post, sobre a natureza e a gravidade do anti-semitismo, que alcança níveis alarmantes em escala global. O problema nos convoca, é certo, a refletir sobre o assunto; mas com mais premência, nos impele a agir politicamente para que governos democráticos do planeta não desdenhem do tema ou o relativizem devido a hipocrisia diplomática assentada no pragmatismo das relações internacionais. O comportamento que lança, contra o terror antissemita alicerçado no islamismo radical e seus consorciados, a prática de pisar em ovos enquanto esse totalitarismo se arma para a jihad da destruição, é um comportamento tão espúrio quanto foi a famigerada política de apaziguamento européia, que permitiu as sucessivas quebras de tratados internacionais e o rearmamento alemão depois da ascenção de Hitler ao poder.



Cotler é membro do parlamento do Canadá, ex-ministro da Justiça e ex-procurador-geral daquele país. Hoje é professor de direito da McGill University. É autor de vários artigos sobre racismo e direitos humanos. Cotler também é co-fundador, com o membro do parlamento inglês John Mann, da Interparliamentary Coalition to Combat Anti-Semitism. O artigo segue abaixo:



Tornando o mundo 'Judenstaatrein'



O novo anti-judaísmo superpõe-se ao clássico antissemitismo, mas dele se distingue. Ele encontra expressão jurídica e mesmo instituicional inicial na resolução da ONU segundo a qual "Sionismo é racismo" - sobre a qual o ex-senador dos EUA, Daniel Moynihan, disse "ter dado à abominação do antissemitismo a aparência da sanção legal internacional" - mas dramaticamente a supera . Esse novo anti-semitismo requer um novo vocabulário para defini-lo; de toda a forma, ele pode ser identificado de modo mais acurado se adotarmos uma perspectiva jurídica.


Numa palavra, o antissemitismo clássico ou traditional é a discriminação contra, a negação dos ou o ataque aos direitos dos judeus de viverem como membros iguais de qual seja a sociedade na qual habitam. O novo anti-semitismo envolve a discriminação contra o direito do povo judeu de viver como membro igual da família das nações - a negação do e o ataque ao direito mesmo do povo judeu de viver - com Israel sendo "o judeu coletivo entre as nações."


Como a parte final da "Declaração de Londres" da Conferência da ICCA afirmou: "Estamos alarmados com o ressurgimento da velha linguagem do preconceito e suas manifestações modernas - em ações retóricas e políticas - contra os judeus, contra a crença judaica e as práticas do estado de Israel."


Observando as complexas intersecções entre o velho e o novo anti-semitismo, e o impacto do novo sobre o velho, Per Ahlmark, ex-líder do Partido Liberal e vice-primeiroministro da Suécia, concluiu: "Comparada às manifestações anti-judaicas anteriores, esse [novo anti-semitismo] é menos direcionado contra os indivíduos judeus. Ele ataca primariamente os judeus coletivos, o estado de Israel. E aí o ataque instaura uma cadeia de reação e ataques a judeus como indivíduos e às suas instituições... No passado, os anti-semitas mais perigosos eram aqueles que que queriam tornar o mundo Judenrein, 'livre de judeus.' Hoje, o mais perigoso antissemitismo pode ser aquele que quer tornar o mundo Judenstaatrein, 'livre de um estado judeus.'"


Antissemitismo Genocida


A primeira modalidade do novo antissemitismo - e o tipo mais letal - é aquele que chamo de antissemitismo genocida. Esse não é um termo que uso de forma simplória. Em particular, estou me referindo à proibição da Convenção do Genocídio contra o "incitamento direto e público ao genocídio." Se o anti-semitismo é o mais persistente dos ódios e o genocídio é o mais horrível dos crimes, então a convergência desta intenção genocida incorporada na ideologia anti-semita é a mais tóxica das combinações.


Há três manifestações desse antissemitismo genocida. A primeira é o antissemitismo genocida sancionado pelo estado - efetivamente orquestrado pelo estado- do Irã de Mahmoud Ahmadinejad, dramatizado pelas paradas nas ruas de Teherã, com os Shihab-3, os mísseis que ostentavam a inscrição "risque Israel do mapa," enquanto demoniza tanto o estado de Israel como um " tumor canceroso a ser extirpado" como o povo judeu como sendo "o mal encarnado."


Uma segunda manifestação desse antissemitismo genocida são as cartas e manifestos, plataformas e políticas dos movimentos terroristas e milícias tais como Hamas, Jihad Islâmica, Hezbollah e Al-Qaeda, que não apenas clamam pela destruição de Israel e pela morte de judeus onde quer que eles estejam, mas também pela perpretação de atos de terror em busca da cosecução destes objetivos.


A terceira manifestação desse antissemitismo genocida são as fatwasreligiosas ou decretos de execução, nos quais esse chamados genocidas nas mesquitas e na mídia são repercutidos como obrigações religiosas - em que os judeus e o judaísmo são caracterizados como sendo o mais pérfido inimigo do Islã, e Israel transforma-se no Salmon Rushdie das nações.


Numa palavra, Israel é o único estado no mundo - e os judeus o único povo no mundo - que são objetos de um conjunto de ameaças permanentes por corpos governamentais, religiosos e terroristas, que buscam a sua destruição. A Declaração de Londres - novamente de modo significativo - reconheceu que "onde há incitamento ao genocídio [de acordo com a Convenção do Genocídio] automaticamente há uma obrigação para a ação ." É necessário que, agora, essa promessa seja colocada em prática.


Antissemitismo Ideológico


O antissemitismo ideológico é uma manifestação muito mais sofisticada e perniciosa do novo anti-semitismo. Ela não encontra expressão em qualquer incitamento genocida contra os judeus e Israel, ou na negação aberta do direito de Israel e do povo judeus existirem; antes disso, o anti-semitismo ideológico se disfarça como parte da luta contra o racismo.

A primeira manifestação desse antissemitismo foi a sua recepção institucional e jurídica pela resolução "Sionismo é racismo", da ONU. Em que pese o fato de que houve uma revogação da resolução,Sionismo como racismo permanece um lema vivo na arena global, particularmente nas cultaras dos campi da América do Norte e Europa, como confirma recente pesquisa da Comissão Britâncica Suprapartidária sobre o Anti-semitismo.

A segunda manifestação é a acusação de Israel como sendo um estado de apartheid. Aqui estão envolvidos elementos que ultrapassam a simples acusação; refiro-me ao chamado para o desmantelamento de Israel como um estado-apartheid, tal como ficou evidenciado pelos eventos da Conferência Mundial da ONU contra o Racismo em Durban, em 2001.

A terceira manifestação do antissemitismo ideológico envolve a caracterização de Israel não somente como sendo um estado deapartheid - que deve ser desmantelado como parte da luta contra o racismo - mas um estado nazista. Assim, Israel é desligimizado e demonizado, ao ser tipificado pelas duas acusações mais odiosas do século XX - nazismo racista e apartheid -, aparecendo, com isto, como a própria encarnação do mal. Tais acusações contra Israel amparam acusações criminais. Nenhum debate anterior é requisitado. A convicção de que esse triplo racismo garante o desmantelamento de Israel como uma obrigação moral tem sido tomada como axiomática. Pois quem iria negar que um estado "racista, que pratica o apartheid e é nazista" teria algum direito de existir hoje? Mais ainda, essa caracterização dá permissão para a justificação da "resistance" terrorista - afinal, tal situação é retrada como sendo nada mais que uma "occupation et résistance", na qual a resistência contra um estado racista, de apartheid e nazista e que pratica a ocupação é legítima, senão mandatória.

Antissemitismo Legalizado

Se o antissemitismo ideológico pretende mascarar a si mesmo sob o manto do anti-racismo, o antissemitismo legalizado é ainda mais sofisticado e insidioso. Aqui, o antissemitismo simultaneamente quer mascarar-se sobre o manto dos direitos humanos, invocando a autoridade da lei internacional e operando com a cobertura protetora da ONU. Numa palavra - e numa inversão dos direitos humanos, da lei e da linguagem - a singularização de Israel e do povo judeu para um tratamento diferenciado e discriminatório na arena da lei internacional é "legalizado." Um exemplo desse anti-semitismo ocorre anualmente por mais de 35 anos na Comissão de Direitos Humanos da ONU. Esse órgão influente tinha o costume de iniciar sua sessão anual com Israel sendo o único país do mundo, singularizado deste modo, para indiciamento - mesmo antes das sessões deliberativas iniciarem -, fato que contraria os próprios princípios e procedimentos da ONU. Nessa situação de Alice nos País das Maravilhas, a sentença era pronunciada mesmo antes que as audiências tivesse sido iniciadas. Cerca de 30 por cento de todas as resoluções que pasaram na comissão foram condenatórias com respeito a Israel. Depois que aquela Comissão foi substituída, em junho de 2006, pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, o novo órgão passou a condenar um estado-membro - Israel - em 80% de suas resoluções específicas concernentes a 25 países, enquanto os maiores violadores dos direitos humanos de nosso tempo gozavam de imunidade exemplar. De modo enfático, cinco sessões especiais, duas missões de reconhecimento e uma comissão de inquérito de alto nível foram direcionadas para um único propósito: a acusação de alegadas violações por parte de Israel. Essa semana, a Conferência do ICCA e a Declaração de Londres inequivocamente condenaram tal antissemitismo "legalizado", chamando a atenção para que "governos e a ONU impeçam que instituições de nível internacional sejam utilizadas de modo abusivo e, por consequência, tentem estabelecer e legitimar qualquer forma de anti-semitismo, inclusive aquela que seleciona Israel para tratamento diferenciado e discriminatório na arena internacional; e mais; que jamais venham a testemunhar ou ser partícipes de outro encontro como aquele de Durban em 2001." O ressurgimento do Antissemitismo Global: dados comprobatórios

Os dados, não de forma supreendente, confirmam que os incidentes antissemitas crescem e estão em evidência. O panorama apenas revela metade da situação, no entanto - ele demonstra um incremento nesse antigo/novo antissemitismo a concentrar-se no paradigma tradicional, aquele que aponta para o registro de ataques a judeus e a instituções judaicas; mas o mesmo paradigma falha quando não considera Israel como o judeu entre as nações. Devemos estar alertas para o fato de que o incremento do antissemitismo tradicional é indissociável do novo antissemitismo, insidiosamente insuflado por um clima receptivo aos ataques contra os judeus devido aos ataques contra o Estado Judeu. Mais anda, os relatórios conhecidos ilustram tanto um um rescrudescimento da violência e crimes anti-semitas que ocorreram durante a Segunda Guerra do Líbano em 2006 e a mais recente Guerra de Israel contra o Hamas, anti-semitismo que os delagados da conferência do ICCA caracterizaram como "pandêmico." Conclusão É esta crescimento e intensidficação do antissemitismo em escala global que torna necessário combater a mais persistente forma de ódio conhecido pela humanidade, antissemitismo. O silêncio não é uma opção. É chegada a hora não apenas de soar o alarme, mas de agir. Pois a história ensinou-nos muito bem: O ódio começa com relação aos judeus, mas não termina neles. O antissemitismo é o canário do mal e ameaça a todos nós.

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