"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

O PT e seu projeto

No momento em que a Suprema Corte brasileira julga e condena as principais lideranças do PT por terem tentado se apropiar do Estado e suprimir o Poder Legislativo, deve-se lembrar que o projeto dos petistas jamais foi o de consolidar, ou mesmo operar nos limitres de uma democracia liberal no país, mas sim de tentar destruí-la. O projeto petista , sob a liderança de Lula e José Dirceu, era o de transformar o país numa república autocrática socialista. Não se tratava, para Lula e Dirceu, de existir a possibilidade, como dizia Jean Fraçois Revel, de retorno a um mundo totalitário real  para que todos aqueles (como eles) que odiavam a liberdade se pusessem a combatê-la e procurassem eliminá-la. Nas palavras de Revel, "mesmo esse mundo totalitário tendo sido destruído, mesmo quando seus partidários não conseguiam abraçar senão um vazio, continuavam querendo destruir a liberdade, como se o seu oposto fosse ainda uma persperctiva plausível de um programa realizável".

Os petistas sempre odiaram a democracia liberal, que, em boa parte de seus princípios políticos e jurídicos, é garantida pela Constituição de 1988. Por isso sequer a assinaram, quando finda a Assembléia Nacional Constituinte. Lula, José Dirceu e as forças que comandavam, nos meios sindical, acadêmico, artístico e na Igreja, seguiam à risca a toada ideológica da esquerda pós-comunismo, que transformou o liberalismo no inimigo a ser vencido a qualquer custo. Ao mesmo tempo, concertaram um projeto de ocupação de poder, no qual se mesclavam centralismo político, eliminação das oposições, controle da imprensa, estatismo econômico e dissolução de valores morais.

O mensalão não é apenas o maior escândalo de corrupção política da história da República. Ele expôs as entranhas de um projeto de ocupação do poder por meio de expediantes criminosos e de formatação de uma autocracia socialista no país. É pouco provável, no entanto, que o PT, depois de 10 anos no poder e da expansão de sua rede patrimonialista, venha a ser abalado a ponto de deixar de ocupar a posição em que se encontra na cena política brasileira. Seus adversários situados ao centro e à direita do espectro político são desarticulados e têm se mostrado incapazes de enunciar um discurso antipetista, mesmo diante das impressões digitais deixadas por Lula e sua companheirada nos crimes que praticaram contra a Nação. Sem oposição vigorosa não há democracia sustentável e nem mesmo algo da dimensão do julgamento mensalão pelo STF pode, isoldamente, fazer com que a base política do petismo venha a ser fragilizada.      

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