"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Posse é simbólica, mas não histórica

Publicado em 20/01/2009, na Gazeta do Povo, Curitiba

Barack Hussein Obama assume hoje a Presidência dos EUA. O fato não é histórico, como muitos da mídia o estão caracterizando. Creio tratar-se de um fato simbólico, pela simples razão de que pela primeira vez um negro alcança essa posição. Histórico o fato será se, decorridos anos daqui, o governo de Obama tiver aportado, para o bem ou para o mal, alguma transformação significativa na condução das políticas interna e externa dos EUA. Isso ocorreu com Reagan, recentemente, cujo governo contribuiu para a derrocada da União Soviética. Com Nixon, pode-se também falar em fatos de relevância histórica, por dois motivos: houve o impeachment de um presidente e a aproximação dos EUA com a China. Prefiro não me deixar levar pelo simbolismo. A eleição de John Kennedy também teve alto valor simbólico, por tratar-se do primeiro presidente católico dos EUA. Sua relevância histórica, no entanto, deve-se ao fato de que, antes de ser assassinado, em 1963 – em meio ao mandato –, enfrentou a crise dos mísseis em Cuba e enviado os primeiros consultores militares ao Vietnã. Seu governo, além de ter sido marcado por uma aguda atuação em favor dos direitos civis dos negros, traçou contornos nítidos para a geopolítica americana na Guerra Fria. Mas isso era impositivo na época. A racionalidade do curtíssimo período do governo Kennedy deve ser compreendida a partir de sua continuidade com o período Johnson e o contexto do enfrentamento com a URSS. Volto a Obama. Sua política interna está previamente delineada pelo combate à crise econômica. É certo que, podemos observar agora, o futuro presidente não montou uma equipe de curiosos para enfrentar a crise. Sua retaguarda de economistas é experiente. É o máximo que me atrevo a dizer, nesse ponto. O resto seria exercício de futurologia. Na política externa, Obama se verá diante de problemas gravíssimos. Há a guerra aberta contra o terror islamofascista, hoje uma força política mundial, plasmada na Al Qaeda e, principalmente, nas pretensões iranianas de construir artefatos atômicos. Penso que Obama não poderá levar a cabo a pregação de sua campanha eleitoral, na qual acenava com a promessa de reduzir significativamente a presença de tropas americanas no Iraque. Era discurso de mentirinha. Se fizer isso, o antigo domínio de Saddam Hussein implode em chamas, pois lá não há sequer sombra de instituições capazes de sufocar os conflitos internos entre sunitas, xiitas e curdos. Qualquer analista júnior da CIA sabe disso. O Irã, diante de uma desmobilização americana, tentará induzir os xiitas iraquianos a uma sublevação que pode, na ausência de efetivos substanciais dos EUA, alterar, a partir do Iraque, a correlação de forças no Oriente Médio a seu favor. O potencial desestabilizador iraniano na região é alto. Obama terá de enfrentar o conflito histórico entre israelenses e palestinos. Ele até já anunciou que montou um grupo de trabalho para analisar o problema. Mas não vai inventar a roda. No atual episódio desse conflito, os islamofascistas do Hamas estão sendo atacados por Israel, que, além de deixar claro para os EUA que não tolera a presença do terror, subsidiado por Teerã, nas suas fronteiras, avisa que não aceitará a aquisição, por parte dos aiatolás iranianos, de armamento nuclear. Nukes nas mãos de aitolás representam uma ameaça frontal a Israel. E não há diplomacia, ao contrário do que fez crer Obama em sua campanha, capaz de demover Teerã de alcançar a meta de tornar-se uma potência nuclear. Creio que Israel tratará o problema pela via militar. Os EUA devem estar preparados para quando isto ocorrer. A administração Obama cometerá um grande equívoco se tentar demover os israelenses de agir em defesa de sua existência. Equívoco, para se ter um termo de comparação, equivalente a aceitar que a Al Qaeda adquira um só artefato atômico. Há, para finalizar, pouca coisa mais para se falar sobre Barack Hussein Obama. Sei que a mídia ocidental baba porque ele é o primeiro presidente negro dos EUA, que tem uma família bonita, que gosta da vovó queniana. Para mim, tudo isso é decorativo. Seu passado parlamentar é inexpressivo. Como candidato, ele disse duas ou três abobrinhas e venceu os republicanos, desgastados pela administração Bush (esse é um tema em si mesmo, não vou discuti-lo aqui). Será presidente. Esperemos para ver no que vai dar.


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