"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Reflexão às vésperas da posse

Estamos às vésperas da posse de Dilma Roussef como presidente da República. Custo a crer que este dia está chegando, porque a criatura inventada por Lula para sucedê-lo, após oito anos de populismo esquerdista, simplesmente não possui personalidade política. Dilma é uma ninguém. Somente sabemos que depois do tempo de guerrilheira comunista, ela formou-se em economia e aninhou-se no aparelho partidário do PDT,de lá saltando para o PT. Nos dois partidos, cumpriu papéis gerenciais como secretária municipal da Fazenda de Porto Alegre, gestão por todos considerada desastrosa, secretária e ministra de Minas e Energia e, ao fim, da Casa Civil. Nestes cargos, seu perfil foi o de uma medíocre burocrata, chegando mesmo a cercar-se de auxiliares como Erenice Guerra, que depois veio a substitui-la, que fazia tráfico de influência na Casa Civil. Seu perfil foi, ao melhor, burocrático. Em nenhuma das posições que ocupou, mostrou qualquer destaque ou diferencial. E jamais rejeitou o passado terrorista de militância no Colina ou na VAR-PALMARES. Tudo isso é por demais sabido, mas é impositivo lembrar sempre do perfil um tanto quanto suspeito e certamente inexpressivo e comunista de Dilma Roussef, para que tenhamos uma medida do que poderá ser seu governo. Sabemos que a futura presidente venceu as eleições porque não se deparou com oposição alguma. Depois de inchá-la de botox, seus marqueteiros lutaram para tornar palatável a face de gerentona sisuda que sempre apresentou. Sorriso artificial, fala sofrível e discurso oracular, que seguia a ensaiada manobra de apresentá-la como uma fiel e serviçal sucessora de Lula, foram as marcas de sua campanha eleitoral. Apenas esporadicamente, neste período marcado pela empulhação deliberada de Lula e dos petistas, foi colocada diante de inconveniências, mais devido a situações que se configuraram isoladamente ao longo da campanha: o caso de corrupção na Casa Civil comandada por Erenice Guerra, a discussão sobre o aborto, que Dilma aprova sabidamente, mas que fez questão de confundir o eleitorado dizendo-se favorável à vida, e a mobilização tardia de personalidades da nação em defesa da democracia. Não fosse por estes motivos, teria sido eleita no primeiro turno, dada a melosa e acovardada estratégia de José Serra, que, alinhavada por marqueteiros, o colocaram, incrivelmente, na propaganda eleitoral, de modo patético, como o melhor sucessor de um bom presidente petista. Serra perdeu a eleição de forma humilhante, porque pretendeu dizer que a continuidade da gestão Lula estaria mais garantida com sua condução do que com a condução de Dilma. Obviamente que, por um lado, desconsertou milhões de eleitores antipetistas e, por outro, abandonou outros tanto milhões que estavam indecisos. Tivesse articulado um discurso de oposição claro, teria recebido os votos de cerca de 80 milhões de eleitores que se negaram a votar na candidata de Lula. Sobre o número de eleitores que não votaram em Dilma Roussef, escrevi em texto anterior, no qual chamei a atenção para o fato de que a próxima presidente foi eleita pela minoria dos eleitores brasileiros. De qualquer forma, a carta eleitoral que assegura mais quatro anos de poder aos petistas foi jogada. Aqueles, entre os quais me encontro, que combatem o marxismo do PT, devem ter ideias claras sobre o processo  social, cultural e político em que nos situamos, para que, depois de algumas reflexões, venhamos a pensar nos modos de combate à revolução que o petismo vem instaurando em todos os níveis da vida social brasileira. Faço uma constatação: nada foi mais revelador da gestão Lula do que a corrupção, que desvela com indisfarçável crueza o tipo de orientação subversiva com a qual os petistas estão comprometidos. A corrupção deliberada do tecido político já se encontra em estágio avançado. Nenhum partido fez, de modo perspícuo, oposição ao governo Lula e a seu populismo marxista, todos sendo, portanto, coniventes com a apropriação petista dos aparelhos estatal e social. O PT  dispôs como quis, ou seja, sem obstaculização, de expedientes revolucionários para instrumentalizar a sociedade, por meio da ação de ONGs que ele patrocina, por meio das centrais sindicais que ele cooptou, por meio de seus tentáculos em corporações profissionais, entre elas as de polícia, ministério público e judiciário, nas quais o petismo tem se infiltrado sistematicamente há anos. Ao longo das últimas décadas, o PT corrompeu a sociedade em todos  os níveis, tornando ineficazes as denúncias de tráfico de influência, de corrupção de agentes públicos e mesmo de crimes contra a vida praticados contra quem denunciava suas falcatruas, como foi o caso do prefeito Celso Daniel e de um jornalista de Estância Velha, o primeiro assassinado e o segundo vítima de um atentado praticado por pistoleiros que, apenas por sorte, não terminou com sua morte. Falar, além disso, do Mensalão, até hoje a mais vil das tramóias engendradas pelo PT para comprar o Congresso, tornou-se ineficaz, uma vez que o processo por vários crimes que respondem no STF, petistas e seus aliados, dormita desde 2006, sem previsão de solução, na escrivaninha do lerdo ministro-relator Joaquim Barbosa, indicado, alías por Lula. O que os advogados que atuam no caso do Mensalão aguardam é a prescrição de vários crimes imputados a cambada comandada por José Dirceu. Lula conseguiu, no Mensalão, escapar de um processo de crime de responsabilidade por pura covardia da oposição, que negociou com os petistas a permanência do presidente no poder, ao invés de mobilizar a sociedade para dele retirá-lo. Como declarou-se traído e jurou não saber nada sobre o que ocorria ao lado de seu gabinete e em seu partido, Lula não apenas conseguiu salvar-se nesta modalidade de apedêutica indecente, como ainda reelegeu-se para mais um mandato, elevando ao mandarinato da República figuras manjadas de oligarquias caquéticas que o apoiaram em troca de favores generosos. Como num passe de mágica, o reeleito presidente passou a desfilar ao lado de José Sarney, Renan Calheiros e Fernado Collor, a todos distribuindo regalos substanciais, como cargos em estatais e concessões de distribuidoras de gasolina da Petrobrás. Além disso, fez uma aliança com a banca internacional, que tornou o Brasil, o país mais submetido à voracidade do capital especulativo, devido à alta remuneração de seus papéis de curto e médio prazo. Tudo isto amarrado a duas ferramentas econômicas: a  política monetária de juros altos como forma de controle da inflação e a oferta de crédito para manter altos os níveis de consumo. O problema é que a política de atração de capitais tornou o dólar barato para os brasileiros, determinando um aumento substantivo das importações e a paralisia do parque industrial nacional, cuja capacidade ociosa permaneceu, durante a Era Lula,  alta. O empresário brasileiro, entre investir em bens de produção e ampliar a capacidade produtiva, por um lado, e aplicar o capital em papéis de rentabilidade exagerada, por outro, optou pela segunda alternativa. Resultado. Apenas no item exportação de comodities, a economia brasileira obteve bons resultados, especialmente devido a demandas de insumos agropecuários - soja e carne- e minérios por parte da China, União Européia e EUA. No quesito manufatura, as exportações brasileiras permaneceram em escala inercial e uma enxurrada de produtos importados, devido ao câmbio aviltado, invadiu o país. Em linhas gerais, é este o país que Lula deixa para a burocrata marxista Dilma Roussef  governar. Como a economia internacional vive fase de arroxo fiscal e substituição de importações, devido à crise iniciada ainda no final de 2008, nos EUA, o próximo governo deverá administrar a escassez de recursos e conter o ritmo do investimernto em infraestrutura, o que pode abalar o nível de emprego, que é o indicador  mais sensível da economia. Diante de uma onda de retração econômica, o clientelismo social plasmado na prometida ampliação do número de beneficiários do bolsa-família, aponta para o incremento do número de pessoas que vivem na linha da probreza ou abaixo dela, hoje perfazendo 10% ou mais da população. Certamente não é com foguetório que pessoas lúcidas recebem a notícia de que mais de 30 milhões de almas estão fora da economia formal e não possuem renda suficiente para manter-se alimentados. O bolsa família é a face populista de um modelo de administração que convive com repulsivos indicadores nas áreas de emprego formal (50% da população se encontra na informalidade), educação, saúde, saneamento e segurança. O Brasil que Lula deixa para Dilma não é aquele da propaganda oficial massiva e bilionária, que nos apresenta como um gigante mundial. É um país pobre, violento, onde valores tornam-se escassos e que é economicamente refém de uma política monetária que só favorece a especuladores. Pior ainda, é um país controlado por um partido marxista, que cultiva o antiamericanismo e se alia a nações nas quais os direitos humanos são espezinhados, como Irã, Sudão e Cuba. Partido que, em seu cerne, não tem a diretriz constitucional, mas sim o gene totalitário, enraizado no seu programa socialista e nos seus projetos ambiciosos de tutela da sociedade, como o conhecido Plano Nacional de Direitos Humanos 3. Um partido que se confunde com o estado, que o parasita e que o aparelha para eternizar-se no poder. Este é o Brasil que tanto agrada aos petistas, a Lula, a Dilma Roussef e aos seus aliados e protegidos.

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