"A grande maioria dos filósofos da ciência de hoje aceitaria , sem maiores discussões, que a teoria do conhecimento é uma disciplina que se ocupa, prioritariamente, da explicitação dos critérios de atribuição de verdade para as proposições descritivas de estados de coisas e das relações entre estados de coisas. Agrave problema implicado pela caracterização de um critério de verdade é que, seja qual for tal critério, essa caracterização não depende apenas de escolhas determinadas pela metodologia das teorias científicas a partir das quais dizemos o que é verdadeiro de quê. Mas, sobretudo, da obtenção de um consenso mínimo sobre a natureza dos estados de coisas que podem ser descritos, e da análise das condições relativas  das possíveis experiências que temos da realidade".

Luis Milman

 
 
  • Em memória de Luis Milman

Resposta a um antissemita

O cientista polítco Bruno Lima Rocha, professor no Curso de Pós-graduação em Comunicação da Unisinos (São Leolpoldo, RS), que teve publicado seu artigo (por mim refutado) no blog do jornalista Ricardo Noblat, respondeu-me, por mail, aos argumentos que usei para refutá-lo e ao desafio que fiz a ele para debatermos o assunto em público. Fiz contato, por telefone, com o jornalista Ricardo Noblat, que também assina uma coluna no jornal O Globo, solicitando a ele que publicasse minha refutação. Ele negou-se, alegando que não publicava contestações aos seus articulistas porque, a exemplo da minha, inúmeras outras lhe eram diirigidas. Noblat disse-me que não as divulgava porque, se o fizesse, seu blog seria dedicado apenas a apresentação de argumentos e contra-argumentos. Pedi a ele, mesmo assim, que considerasse meu pedido, pois uma uma mentira não refutada pode restar como opinião superior. O jornalista não publicou meu artigo e dois dias depois, ainda postou em seu blog o artigo repulsivo de José Dirceu, ao qual também refutei. Dito isto, concluo que o jornalista Noblat prefere repercutir textos fraudulentos, que não passariam pelo crivo de editores preparados, ao mesmo tempo em que bloqueia o impositivo contraditório, o que seria de se esperar, fosse ele apegado a padrões morais essenciais ao jornalismo.Reproduzo abaixo (em itálico) o e-mail que recebi do cientista político, seguido de minha resposta.

Caro Milman,

Estava demorando em chegar algum texto parecido com esse. Mas tudo bem, imaginei que isso fosse acontecer. Só te respondo por que sei que estas mensagens circulam e o único bem que levamos desta vida é nosso nome.

A propósito, boa parte, senão quase todos os meus referentes políticos, profissionais e ideológicos são ativistas de origem ou pertencimento da comunidade judaica. A lista é grande e passa por Noam Chomsky, Amy Goodman, Paul Goodman, Emma Goldman, Robert Zimmerman, Alexander Berkman, Iara Iavelberg e Vladimir Herzog, dentre centenas de outras e outros. Na minha infância e adolescência, tive grandes amigos de família judia, dentre eles um que havia morado em Israel. Perdi a conta do número de vezes que no pátio da escola, terminamos ele e eu brigando contra uma leva de idiotas que o sacaneavam por aberrações sectárias do senso comum.

Fora a minha trajetória particular, que importa pouco, eu já externei minha opinião e a repito para ti o que já disse em debates públicos, inclusive no rádio, diante de representantes da FIRS.

- Sou favorável a existência do Estado de Israel e entendo como necessária a condenação pública do chefe de Estado Ahmadinejad!

No caso do compromisso político em contra das idéias totalitárias, não sei qual a tua experiência no confronto com a extrema direita em democracia, mas por esse ritual de passagem eu já percorri – fisicamente – uma dezena de vezes. Ou seja, não sou nem anti-semita (o que seria impossível, dada minha descendência árabe) e nem sequer anti-sionista (por entender a necessidade e o direito de existência de Israel).

Meus heróis de tua etnia caíram em Varsóvia, antes militaram no Bund e depois no Matzpen, que como afirmou Cohn Bendit, deveria ser o orgulho dos judeus. Felizmente, esses mártires têm sua descendência garantida, tanto no plano teórico como no prático.

Cordialmente, Bruno Lima Rocha (Bruno Baghliní) - doutor em ciência política, professor da Unisinos

Obs: Sr.Milman, desafie algum representante legítimo da comunidade árabe ou palestina, não é meu caso. Procure a sra. Fátima Ali e ela te colocará com um oponente a teu gosto.

Resposta a um anti-sionistaSr. Bruno:Todas as suas referências teóricas e práticas são de autores e ativistas anarquistas (na maioria) e comunistas. Chomsky é exceção. Ele é anarco-individualista mistificador e ninguém, no mundo acadêmico sério da Sociologia, da Filosofia Social e da Politologia o considera respeitável.Não discuto o direito que o senhor tem de adotar as referências históricas e ideológicas que quiser. Digo que todas elas podem ser problematizadas radicalmente, não constituem dogmas. O senhor é um dogmático. Suas lucubrações sobre Israel estão contaminadas ideologicamente. O Matzpen eu conheço bem, foi uma dissidência do Maki (o PC de Israel). Era um grupo de intelectuais ativistas israelenses anti-sionistas, que romperam com o PC israelense devido ao alinhamento deste com a União Soviética. Alinharam-se com a Nova Esquerda européia, que teve como expoente Daniel Cohn-Bendit. Mas Daniel não defende, hoje, aquelas ideias de "federação socialista árabe-israelense". Ele cresceu. Em Israel, o Matzpen jamais passou de um grupúsculo, sem representatividade política.Pergunta: o que Bob Dylan (Robert Zimmerman) tem a ver com toda esta turma?Não me supreende que, em debates com representantes da Firs, o senhor tenha defendido as ideías antissionistas que denunciei em meu mail. O senhor certamente pode defendê-las. Desmontar suas crenças, para mim, é fácil. Por isso, gostaria de ver suas ideias confrontadas por mim. Defender a existência de Israel e professar o antissionismo (como o senhor faz) é um oxímoro, bem característico, inclusive, de algumas correntes do Fatah, que esta Fátima Ali integra. Nunca debati com ela, por falta de oportunidade. Mas pelo que ouvi dela, em programas de TV e rádio, trata-se de uma moça despreparada para aprofundar qualquer assunto. E, pelo que vejo, o senhor entra nesta categoria.Desafiei o senhor para um debate, não algum representante "legítimo da comunidade árabe-palestina". Não vou cair nesta armadilha estúpida de defender "a causa israelense" contra quem defende "a causa palestina". Isto nunca foi debate, mas apenas conveniência para quem deseja ficar no polemismo do tipo "há dois lados" que se equivalem, ambos nivelados por identificação a causas distintas. O debate que faço não é midiático. Ele se propõe no plano dos fundamentos e no nível histórico-filosófico.O senhor diz não ser representante da causa palestina. Mas é representante do quê? Eu sou judeu e sionista, não por fé, mas por razão. E não sou orgânico, não represento federações de nenhuma espécie. Defendo minhas ideias.O termo "antissemita" tem sua etimologia e história claras. Ele não se aplica aos descendentes de Sem, como o senhor, de modo primário e intencional, quer fazer crer. O termo foi cunhado pelo jornalista e racista alemão Wilhelm Marr (1819-1904), com o significado preciso e distinto daquele clássico ódio aos judeus (judenhass). A diferença é que Marr, procurou estabelecer um critério racial para justificar o ódio, afastando-o da tradicional conotação religiosa e cultural européia e vinculando-o a uma noção de raça, esta, para ele, mais rigorosa e científica. Hoje, neonazistas e comunistas procuram causar confusão (como o senhor o faz) para justificar a "tese" de demonização do sionismo, segundo a qual os judeus israelenses são "antissemitas" e Israel é "nazista" porque "oprime os árabes, também eles "semitas". Proposital jogo de palavras para enganar, com propaganda, a incautos. O antissemitismo é a forma racista da histórica judeofobia. Por tudo isto, digo que o senhor é um mistificador com diploma de doutorado, a serviço do antissionismo. O senhor não é o único.Judeus autonomistas do Bund? Isso é museologia, vale apenas referir o Bund em sua contextualização histórica. o Bund foi um fracasso na União Soviética pré-stalinista. Lenin e Trostky liquidaram com as pretensões autonomistas dos judeus do Pale. Trazer o Bund de volta, como "alternativa" ao sionismo é, na melhor das hipóteses, conceitualmente pífio, seria como defender hoje a substituição dos automóveis por charretes.Confronto com a extrema direita nas democracias? Confrontei a ditadura, em ação, como jornalista e ativista dos direitos humanos, e nunca precisei aderir aos comunistas de diversas facções para isto. Eu todos os que eram torturados e mortos, não suas ideias. E jamais defendi práticas de terror nos anos de chumbo. Insinua o senhor que defendo ideias totalitárias? Que absurdo! Sou um democrata em ação e razão. Ao contrário do senhor, que defende a extinção da "burguesia". A esquerda comunista (a anarquista nunca chegou a exercer o poder) é totalitária e genocida. Marx e Engels defenderam o genocídio de "raças inferiores", aquelas que estavam "dois passos atrás do proletariado", antes do nazismo. É fato, vá pesquisar. Defender tal monstrosidade, hoje, depois da ruína do socialismo real, da opressão e da mortandade que ele impôs à humanidade, isto sim é defender o totalitarismo. É persistir na defesa do mal absoluto.O politólogo, com a viscosidade dos covardes, respondeu-me mais uma vez segue novamante em itálico):

Sr. Milman,

É louvável teu esforço em querer debater comigo, mas não sigo adiante, por razões mil e minhas. Mas, acho que você leu de forma apressada e não entendeu que:

“Fora a minha trajetória particular, que importa pouco, eu já externei minha opinião e a repito para ti o que já disse em debates públicos, inclusive no rádio, diante de representantes da FIRS.

- Sou favorável a existência do Estado de Israel e entendo como necessária a condenação pública do chefe de Estado Ahmadinejad!”

Paro por aqui, parabéns por tua convicção e eloqüência, saudações libertárias, Bruno

Este senhor Bruno, descontada sua promiscuidade intelectual, é um sicário moral.

2 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

©2018 by Em memória de Luis Milman. Proudly created with Wix.com